CL 52

 

 

ANTELÓQUIO

«Será que o ser, o ente, a criatura Homem algum dia atingirá a “Condição Imortal”…?! Será?!!! Só numa 5.ª dimensão… Onde espaço e tempo não existam… Onde não haja Geografia para visitar nem História para reter… Onde não haja necessidade de curiosidade nem de memória… Nesse “estado”, – TUDO se conhecerá e ao mesmo tempo.

Apesar de Thomas More, no século XV, já ter antecipado, preclaramente, que as UTOPIAS não são, de modo algum, concepções falaciosas ou fantasias vãs, e portanto não poderem ser consideradas como “evangelhos estéreis”, mas sim, e ao contrário, “possibilidades efectuáveis”, desde que se removam as “circunstâncias provisórias” que “obstam” às respectivas concretizações, etc., etc., apesar disso, – quem hoje pode ter a “veleidade” cultural, e matemática, de dizer e confirmar que:

“A realidade do dia-a-dia é que é a verdade da vida”? Esta “afirmação” é que é, porventura, uma verdadeira utopia-utópica. E porquê? Porque todo o “presente” já é passado… E não atingiu, nem de longe nem de perto, a verdade. Ao invés, quando se refere (e estruturaliza) uma UTOPIA, tem-se mais senso cultural e possibilidade matemática de poder atingir uma verdade futura… cada vez mais ao alcance.

Não terá, pois, sido por mero “acaso” que Thomas More escolheu, para seu protagonista principal, o português Rafael Hitlodeu…!!!

E porquê? Por isto: Ele sabia que, na época, o Povo que melhor simbolizava o Espaço e o Tempo; o mais curioso e mais viajado; e que mais conhecimentos e experiência de vida tivera; e soubera reter tudo isso na memória…, estava sendo o Povo português. O argonauta luso. Que mundos novos ao mundo velho ia desvendando… E mostrando… Mostrando!… Patenteando…!

Por isso, More afirmou: “Não existe na terra nenhum outro [Povo] capaz de dar tão completos e interessantes pormenores acerca “dos homens” e das “regiões desconhecidas”.

Na verdade, tudo o que existe e está implícito nas UTOPIAS são “promessas”… Ao nosso alcance… Passíveis de serem realizadas a médio ou longo termo, ou prazo.

E porquê? Porque tudo o que (em verdade) já foi feito, foi antes objecto do pensamento. Foi antes ideado. Foi antes sonhado. Foi antes fantasiado. Foi antes “utopiado”.

E nada, absolutamente nada, prova que a superação (a própria nulificação) das circunstâncias obstaculizantes da concretização das utopias (ainda utópicas), esteja para além do engenho e capacidades transformadoras, e criadoras, dos Homens e das Mulheres.

Pessoa já o visualizou e afirmou, escrevendo “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.»

Abel de Lacerda Botelho

 

«A quem eventualmente me perguntasse: “Se o presente vade-mécum, como você diz, é, para si, uma inutilidade…, por que raio de carga-de-água o escreve e publica…?!” A minha resposta seria: Porque o efeitode- borboleta não é figura de retórica… Escrever, impõe-se-me… E, como também confessei numa das odes de abertura: Na esperança de que, algures, Outrem me esteja a escutar… E essa atalaia insone, mística, superame.

A cultura ocidental, greco-latina e judaico-cristã, continuadora de asiáticas e africanas de vanguarda…, tem, no Velho e Novo Testamentos, a sua enciclopédia cósmica, primeira… Como, significativa e curiosamente, tanto o Einstein como a minha avó paterna exemplificam, modelarmente: Ele, pelo que sobre cultura disse e patenteou… Ela, pelo que patenteou sem o dizer. Minha avó, para mim, superava o Einstein. Porquê…?! Por mais segura do que o viver é… Ela não tinha a menor dúvida de que o viver é uma etapa… Consequentemente, para ela, ser virtuosa não era razão de encómios nem virtude…! Ou motivação de levar pessoas a freimas de pô-las à beira de esgotamentos como o que o Einstein confessou que sofreu… E me aconselha a reproduzi-lo:

“Nas sagradas escrituras do povo judeu pode-se observar muito bem a evolução da religião-temor para a religão-moral, evolução essa que prosseguiu no Novo Testamento. As religiões de todos os povos civilizados, incluso os do Oriente, são, acima de tudo, religiões morais. E a evolução da religião-temor para a religiãomoral foi um passo decisivo na vida dos povos. […] A todas elas é comum o carácter antropomórfico da ideia de Deus. […] Em todas elas, porém, há um terceiro grau de religiosismo […] que raramente se cumpre na sua expressão mais pura. Designá-la-ei por religiosidade cósmica. […] A que não corresponde nenhum conceito antropomórfico de Deus. […] Os génios religiosos de todos os tempos distinguiram-se por essa religiosidade cósmica. Que não reconhece dogmas. Nem nenhum Deus à imagem e semelhança do homem. [...] Assim, acontece que é precisamente entre os hereges de todos os tempos que se encontram os devotos desse religiosismo mais elevado… – vilipendiados pelos seus contemporâneos muitas vezes como ateus. Mas, também, como santos. [...] A religiosidade cósmica é a mais forte e mais nobre das molas impulsionadoras da investigação científica. [...] Só quem souber avaliar os enormes esforços e a dedicação sem os quais não há criatividade idealística, poderá avaliar a força do sentimento que pode gerar uma obra, independentemente de interesses imediatos”.»

 

Mais informações em Fundação LusíadaVade-Mécum & 5ª Dimensão – I Volume