André Boto é um jovem fotógrafo português de 30 anos. Desde cedo inclinado para o campo das artes, licenciou-se em Artes Decorativas na Escola Superior de Educação de Beja, em 2007. No ano seguinte, decide focar-se totalmente na área da Fotografia, completando dois cursos (Fotografia Avançada e Fotografia Conceptual). Em 2010, André Boto foi o vencedor do prémio da FEP – European Photographer of the Year. Atualmente é professor na Oficina da Imagem, dedicando-se também a vários projetos fotográficos.

Fotomontagem: processo evolutivo passo-a-passo

Ao fazer este género de trabalho de fotomontagem é necessário ter uma série de cuidados que começam ainda antes de fotografar. Se para fazer uma fotografia, cujo objetivo é que o resultado final seja conseguido no click e sem grande edição é preciso inúmeros cuidados, ao fazer fotomontagem, é necessário ter os mesmos cuidados, multiplicados pelo número de fotografias que a fotomontagem/resultado final vai conter.

Planeamento - É de extrema importância haver um planeamento inicial para prever e preparar contratempos que possam existir mais tarde na pós-produção.

O planeamento poderá passar por um esboço inicial para fazer o estudo da composição, e é necessário ter em conta que o Photoshop não é a solução para uma imagem menos boa, o Photoshop tem que ser visto apenas como uma ferramenta que nos permite atingir bons resultados, se a matéria-prima tiver qualidade e estiver preparada para a pós-produção que vai ser realizada.

O planeamento faz-nos definir o que vai ser fotografado e qual a melhor hora para fotografar determinado objeto/edifício/paisagem, de forma que todas as imagens utilizadas num trabalho de fotomontagem tenham uma iluminação semelhante, resultando numa imagem final coerente.

Organizar imagens - É importante ter um grande banco de imagens, devidamente separado e organizado, para economizar tempo na pesquisa de imagens dentro dos nossos próprios discos externos, pois demorar tempo em demasia com estas tarefas pode significar que o trabalho não se torne rentável.

Trabalhar com Layers - Ao se fazer trabalho de fotomontagem/fotomanipulação ou edição extrema, é imprescindível o uso de layers, pois estas agilizam as tarefas e ajudam a criar mecanismos de trabalho que nos possibilitam voltar atrás sempre que necessário, ou seja, através das layers e máscaras de camada, conseguimos fazer um tipo de edição não destrutivo (ou menos destrutivo).

Fazer recortes - Este é uma das tarefas que é preciso planear na altura de fotografar para que o processo de pós-produção no Photoshop seja bem mais simples. Há várias formas diferentes de fazer recortes no Photoshop, muitas vezes não conseguimos escapar de fazer recortes manuais, o que demora bastante tempo. Mas existem também ferramentas automatizadas para fazer recortes e seleções.

Antes de mais, convém ter em consideração que as ferramentas de recorte automatizadas trabalham com base em contrastes, seja contraste entre claro/escuro ou contraste entre diferentes cores. Assim, sabemos que se fotografarmos um objeto escuro sobre um fundo claro, o recorte vai estar bastante simplificado. 

A ferramenta que mais uso para fazer recortes, continua a ser ainda hoje a Background Eraser Tool, é uma ferramenta que precisa de algum estudo e habituação, mas bastante útil, pois serve para recortar quase todo o tipo de objetos, incluíndo folhagens de árvores e cabelos (objetos que costumam levantar algumas dificuldades na hora de recortar).

Fundir diferentes imagens - Por vezes não é nada simples fundir diferentes imagens de forma que o resultado pareça natural. Uma fusão credível está dependente de vários fatores. 

Cor - É importante que na imagem final, os diferentes objetos fundidos tenham a mesma coloração. Não é obrigatório que a cor dos diferentes objetos seja a mesma nas imagens originais, pois é relativamente simples de corrigir este ponto em pós-produção, mas no final isso é importante.

Texturas - Se os objetos a fundir tiverem o mesmo tipo de texturas, a sua união também parecerá mais natural.

Densidade - Tal como em relação às cores, a densidade de cada objeto deve ser muito semelhante na imagem final, não havendo objetos muito mais escuros ou mais claros que outros, sem que haja uma justificação natural para que isso aconteça.

Noção de escala - Outro fator muito importante e que por vezes pode denunciar um trabalho de fotomontagem é a noção de escala, é imprescindível que todos os objetos mantenham a mesma escala, tendo dimensões semelhantes entre si. O ideal é fotografar todos os objetos a distâncias semelhantes e com distâncias focais semelhantes.

Luz e sombras - O mais importante é que a iluminação dos diferentes objetos que queremos fundir seja a mesma ou muito semelhante. Se vamos fundir duas imagens e uma delas tem um objeto em que incide a luz direta do sol vinda do lado esquerdo, é fundamental que todas as imagens tenham o mesmo tipo de iluminação.

Cuidado com as sombras, é necessário recriar as sombras sempre que um objeto aparece fora do seu local de origem, e dependendo do tipo de luz, a sombra será consequentemente mais dura ou mais suave.

Nas imagens abaixo as diferenças de iluminação são notórias.

Relativamente à direção da luz e sombras, pode ser bastante útil fotografar em dias de céu nublado, em que não há a existência de luz direta do sol a incidir no objeto. Desta forma, evitamos também a presença de sombras, e se fotografarmos nestas condições acaba por ser simples, pois podemos ser nós a definir a direção do sol/sombras, com a ajuda de ferramentas como a Dodge Tool e a Burn Tool (para clarear e escurecer).

Todos estes fatores são muito importantes para que o resultado final seja uma imagem credível, pois nós quando olhamos para uma imagem, até podemos saber de imediato que aquela situação é irreal e nunca poderia ocorrer, mas se o acabamento tornar o resultado final credível, nós acreditamos naquela irrealidade e aceitamo-la, porque na fotografia o que parece, é.

Quando se faz fotomontagem é bastante importante ter material com qualidade, tanto a camâra como as objetivas, pois muitas vezes necessitamos recortar pormenores de imagens e quanto mais resolução tivermos ao nosso dispor, melhor.

Se trabalharmos com ferramentas de recorte automatizadas, uma boa camâra com objetivas de qualidade ajuda nos recortes das imagens, pois material com mais qualidade irá produzir imagens com menos ruído, e ter ruído faz ter pixéis mais escuros e outros mais claros, logo uma ferramenta de recorte automática pode não conseguir fazer um recorte com eficácia quando o ruído é maior, porque existe maior contraste entre pixéis. Da mesma forma, é útil fotografar com ISO o mais baixo possível.

André Boto

Site oficial: http://www.andreboto.com/

Página de Facebook: https://www.facebook.com/andrebotophoto

Em: theartboulevard.org