Tendo em consideração a tradição popular, transmitida de pais para filhos ao longo dos anos em Vila Cova, a romaria à Sra. De La Salette inicialmente, realizava-se no dia 18 de Setembro de cada ano.
Por razões que se perderam nas brumas da memória, esta peregrinação foi alterada para o dia 15 de Agosto, um dos possíveis factores da mudança pode estar relacionado com as condições climatológicas, que por essa altura eram bastante rigorosas e frequentemente tinham inicio muito tempo antes da estação de Outono começar. Um outro factor, prende-se também com o facto de esta data representar no calendário católico, a celebração da Assunção de Nossa Senhora.

Este culto teve início nos finais do século XIX, altura em que uma piedosa senhora, natural da freguesia, D. Ana de Jesus Barria, muito devota da Senhora de La Salette, terá tido um sonho, no qual Nossa Sra. lhe pedia que erguesse um altar em sua honra. Após lhe ter sido cedido, pela Junta de Freguesia Paroquial, um terreno no lugar de Malhada da Fraga da Pena, conforme consta dos registos da altura, deu-se então início à construção do Santuário conforme o pedido da Santa.
Este Santuário, foi construído com os fundos angariados pela devota, onde nem só a população de Vila Cova contribuiu, mas também as povoações vizinhas, que traziam carros de bois carregados de pedra que descarregavam no local da construção ao som do toque do sino, que não se calava enquanto os carros subiam a encosta por caminhos tortuosos.
Apesar de no nosso tempo se viver uma crise de fé, esta peregrinação consegue resistir à voracidade dos tempos modernos, mantendo os princípios de humildade e fé que lhe deram origem. De tal forma que ainda hoje se mantém, culminando com uma missa solene que se realiza após a chegada da procissão, que parte da Igreja Paroquial subindo pelos mesmos caminhos tortuosos, que percorriam os carros de bois que transportavam as pedras para a construção da capelinha.
A procissão reflecte, eventualmente, a essência da peregrinação, na medida em que os peregrinos se despojam de todos os seus preconceitos, esperando na sua fé que a Santa interceda por eles no alívio dos seus males, sejam eles do corpo ou da alma.

É uma procissão composta por diversos elementos que fazem parte da tradição religiosa e cultural da freguesia, nomeadamente uma Cruz, a bandeira de Nossa Senhora de La Sallette, a bandeira do Sagrado Coração de Jesus, nossa Senhora e os pastorinhos e a Rainha dos anjos os peregrinos e o andor. A Cruz, encabeça a procissão indicando o caminho aos peregrinos sendo seguida pela bandeira de Nossa Senhora de La Salette. De seguida encontramos a representação da Nossa Senhora de La Sallette e dos pastorinhos a quem ela apareceu, Maximino e Melanie, vestidos com trajes e produtos da época, geralmente representados por crianças da região. Depois sucede-se a bandeira do Sagrado Coração de Jesus e as figuras representativas da Rainha dos anjos e respectivos anjos. O elemento central da procissão é composto pelos peregrinos que seguem em duas filas paralelas, amortalhados, demonstrando desta forma simples e despojada a fé e o amor que lhes vai no íntimo. Finalmente, encerrando a procissão, podemos ver o andor coroado pela imagem da Santa e dos pastorinhos, enfeitado com centenas de flores, onde se incluem diversas fitas e onde é colocado o fruto das esmolas relativas às promessas dos peregrinos, carregado em ombros por quatro pessoas. Partindo da Igreja Paroquial a procissão segue os caminhos da aldeia de Vila Cova em direcção ao santuário, situado na encosta do Monte Rosário.
Embora centenária, esta peregrinação conserva intactos os princípios que lhe deram origem: a humildade de um coração que ama a Deus e a sua mãe Maria Santissíma e que se reflecte na simplicidade dos seus peregrinos, vestidos apenas com uma simples veste branca.

Em: Vila Nova e Mascoselo