PORTUGALIDADE

Substantivo feminino. Similar a “Paideia Lusa”, “Cultura Lusa”. Portugalidade é a “maneira de ser”, e “de estar na vida”, e de “nessa vida não ficar”, praticada por um Povo, em uma Língua, e própria de uma cultura formada em um País originariamente situado no extremo Ocidental da Europa.

Hoje a Portugalidade encontra-se a ser praticada nos cinco  Continentes da Terra, e inclui mesmo povos íncolas que a adoptam, e a adaptam.

(Vidé, “entrada” Nº 10.355.824 da Enciclopédia Universal, denominada – “LIVRO DA VIDA”.)

 

A “Associação Promotora de Portugalidade – Ordem de Ourique” criada em 2001 no início do Terceiro Milénio, tem a enorme honra, satisfação e humilde orgulho, de apresentar publicamente, este novo “sítio”, que é “um sítio social”: “A Portugalidade”.

Todo o “luso-falante” neste sítio pode entrar, a ele aderir, nele participar, e por ele ser informado e “sentir” de como é bom “praticar-se a portugalidade”.

Saber “quem somos”, o “que é que somos” “de onde vimos” e “onde estamos”, e sobretudo definir e escolher “o caminho para onde vamos”, é o Grande Desafio que este sítio – “A Portugalidade” vem trazer a todo aquele ser humano, que “pensa”, que “fala”, que “escreve”, que se “comunica” em língua portuguesa, – EM QUALQUER PARTE DO MUNDO – em que ele viva neste momento.

Viver na, e com a Portugalidade, significa que ao mesmo tempo, somos Autores dela, Actores nela e Expectadores dela.

Viver todos os dias “dentro da Portugalidade” – é sermos criadores dela todos os dias.

Olhando o passado, reconhecemos que nela viveram os nossos Pais e outros Antepassados. E o contributo que a ela, todos os dias eles lhe deram, constitui também parte – e não pequena – do futuro dela.

Mas somos nós hoje, que constituímos o seu núcleo fundamental.

Mais que “respeitar” e “respirar”, e “sentir” a Portugalidade, todo o pensante e falante em língua lusa, a está a “alimentar” e a “projectá-la no advir”.

 

PORTUGALIDADE É

A maneira de Ser e de Estar no mundo – de um POVO, um Povo de origem Lusitana (criado no extremo Ocidental da Europa) com filiação genética-cromossomática - Celta – ATLANTE e hoje, no III Milénio, com descendência espalhada e vivenciada pelos cinco continentes do Mundo. Ela é a contribuição de um povo, para um mundo mais alegre e mais pacífico e mais solidário.

 O Povo, a Língua e a Cultura Lusa não é melhor nem pior que a de qualquer outro Povo, Língua ou Cultura.

Ela é porém diferente.

E essa diferença é baseada na universalidade do sentir, e da cultura das suas gentes, que se unem para enfrentando quotidianamente a vida, poderem melhor combaterem a morte, e se possível, dela se irem libertando. O Povo, a Língua, e a Cultura Lusa não nasceu, nem morrerá, como qualquer outra civilização.

Este Povo, esta Língua e esta Cultura, soube através dos séculos, construir e emitir uma MENSAGEM de Paz, e de vivência com todos os outros povos, e com eles compartilhar a existência terrestre.

A Portugalidade porém, não é só Lusofonia. A Portugalidade não se compõe, ou se esgota, só pela existência e exercício de uma Língua, comum actualmente a vários e variados Países ou Nações.

A Portugalidade é mais: Ela é toda uma expressão de vida, toda uma maneira de ser, de estar na vida, de praticar no mundo o modo de ser íntimo e constante de uma Mensagem própria e única.

Repete-se: quem pratica quotidianamente a “portugalidade” não é um ser humano “superior” ou “inferior” a qualquer outro ser humano terrestre. Ele porém é diferente.

Ele sabe quem É.

Ele sabe que Existe (como o sabem muitos outros povos que habitam a Terra).

Ele sabe, que além de Ser e de Existir, ele Está. Ele sabe o que É, e quem é ele, assim como sabe SER, sabe existir no Espaço Histórico e Geográfico que quotidianamente ocupa.

Ele tem a perfeita noção de que Ele É no Estar.

E “Ser no Estar” também é apanágio de muitos outros Povos, Línguas ou Culturas.

Mas quem pratica a “portugalidade”, é senhor de um outro conhecimento. Ele sabe, que não é só “Ser no Estar”. Ele sabe, que é mais do que isso. Ele sabe, que ele

É no estar

Sem no estar – FICAR.

Ele sabe que é um “transeunte”, “UM PEREGRINO” no mundo. Ele sabe que é um “Peregrino” que tem por missão do próprio Ser, fazer a sua Peregrinação nesta vida e neste mundo.  Ele sabe, que ele não pertence só a este Mundo.

E que por isso, ele não ficará onde está. Por isso, é que todo o “Luso” conhecedor consciente ou inconsciente do seu “genoma Celto-Atlante” sabe que para se “realizar” não pode ficar parado no local onde ESTÁ, no local possivelmente “onde nasceu”

Ele tem de “calcorrear” o mundo, de “peregrinar” pelo mundo para se realizar como Homem. Ele tem de conhecer o outro homem e outros povos, pois só assim ele se irá conhecendo a si próprio, e lhe irá por sua vez, transmitir a sua Mensagem de Paz e de Peregrinação terrestre.

Ele sabe, que “tem de se dar aos outros” pois dos outros ele próprio se constitui. E espera que “os outros” se dêem também a ele.

A sua “mensagem” de paz, e de cultura, tem de ser comunicada e vivenciada pelos outros, para dos outros receber também a Ideia de paz e cultura que eles lhe oferecem.

E é “nisso” que está a diferença, que temos de singular e único na “Paideia Lusa”.

O vocábulo “Paideia” tem o seu étimo derivado do grego (paidos – p a i d o s  = criança). (Do Grego, o léxico português herdou mais de 6.000 vocábulos).  “Paideia” significava – originária e primariamente – “criação de meninos” “ensinar meninos” “educar jovens”. No início não devemos confundir “paidos” com “arete” = (aρετe)  cujo conceito engloba o “ideal educativo”!

A Paideia Grega

A Paideia Grega

Na cultura grega este “ideal educativo” que foi completamente explicitado nos poemas homéricos, era entendido como um conjunto de qualidades físicas e espirituais e morais tais como a bravura, a coragem, a força, a destreza, a eloquência, a capacidade de persuasão, enfim: a heroicidade.

Na parte final da época arcaica,  o alargamento do “tal” ideal educativo – ARETE – começou a exprimir-se pela palava “kalokagathia”, e então, mais que a bravura e glória, pretendia-se que a criança – adolescente, alcançasse a excelência física e moral. E assim os atributos que o homem (e a mulher) deveriam procurar realizar seriam a beleza “Kálos”, e a bondade “Kágatos”. Para atingir este ideal, o programa educativo implicaria dois elementos fundamentais:

- A ginástica para o desenvolvimento do corpo.

- A música (aliada à leitura e ao canto) para o desenvolvimento da mente.

 - Este programa educativo completava-se com o estudo da gramática.

 A partir porém do séc. V a. C. (no célebre período de Péricles) exige-se algo mais da educação. Entende-se a partir dessa época, que para além de “formar o homem” a educação deve ainda formar o cidadão. Já não chegava só a ginástica, a música e a gramática.

É a partir daí, que “o ideal educativo grego” – a “Paideia” – aparece como:  formação geral que tem por objectivo fazer do adolescente um homem e um cidadão.

 

Platão

Platão

Platão define Paideia desta forma:

A essência de toda a verdadeira educação, ou Paideia, é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão

perfeito, e o ensina a obedecer e a mandar, tendo a Justiça como fundamento (cit in Jaeger, 1995).

A partir pois do séc. IV a. C. a Paideia “como criação dos meninos” alarga-se para “ideal educativo”. Diz-nos  Jaeger:

“Os gregos deram o nome de Paideia a todas as formas e criações espirituais e ao tesouro completo da sua tradição, tal como nós o designamos por BILDUNG, ou pela palavra latina – CULTURA”.

E acrescenta: “Daí que, para traduzir o termo Paideia não se possa evitar hoje, o emprego de expressões modernas tais como, civilização, tradição, literatura, ou educação. E mesmo assim, cada um desses termos só limita e exprime um aspecto daquele conceito global. Para abranger o corpo total do conceito grego, teríamos de emprega-los todos de uma só vez”.

Assim, hoje, o conceito de Paideia, não designa meramente a “técnica para ensinar e preparar a criança para a vida adulta”. A ampliação do conceito faz com que hoje tal vocábulo designe o resultado do processo educativo que se prolonga por toda a vida, muito além dos anos escolares.

A Paideia, significa hoje – “CULTURA”, ou “Civilização”. E esta entendida no seu significado mais amplo ou envolvente, e assim representa todo um estado de um espírito plenamente desenvolvido e assumido não só pela pessoa, como pela sociedade onde ela está inserida, e que a engloba.

Temos hoje pois que, a “cultura” adquirida e praticada pelo homem, começa pelo conhecimento que ele de si próprio tem, não só do seu corpo e da sua mente, como dos outros com quem convive, como da terra onde nasceu e vive, como das tradições que são imanentes ao povo onde está inserido; de um “telos” ou finalidade humana superior, a que esse povo tende a atingir.

O termo “Paideia” engloba portanto hoje, todo um conceito que é próprio de um Povo – a sua cultura, a sua própria civilização – e que no quotidiano se plasma como – o seu Ser e Estar na vida: o que é que um Povo é, e como no dia a dia ele demonstra ser, se manifesta, e vive. E cada Povo tem pois a sua “paideia” própria.

 

Já tal disse Fernando Pessoa:

“As nações todas são mistérios.

Cada uma é todo o mundo a sós” (Mensagem).

 

E Álvaro Ribeiro:

“A cada povo é proposto um ideal diferente

De realização da humanidade” (Escola Formal).

 

Hoje, na Aldeia Global em que estamos inseridos, e após a GLOBALIZAÇÃO iniciada há 5 séculos pelos portugueses, através “do desvendar de novos mundos ao mundo: depois dos “portugueses terem descoberto a própria ideia da descoberta (deles próprios e do mundo) a PAIDEIA LUSA é uma VIVÊNCIA HUMANA passível de ser sentida, desejada e praticada no quotidiano das vidas, mesmo por homens e mulheres que embora não sejam portugueses, aderiram à maneira de ser e de estar no mundo – como o fazem os povos oriundos ou descendentes da lusitanidade – onde todos os dias se ouve e se fala a língua portuguesa, e mais que falar, esses Povos em português PENSAM, ACTUAM, VIVEM, AMAM e MORREM.

 

A “Paideia Lusa” não é melhor nem pior que a de qualquer outro Povo. Ela é porém diferente, aliás como diferente é a Língua que se usa para a exprimir e que dela faz parte. E é nessa diferença que está a sua universalidade, a sua força, e o seu esplendor.

A “Paideia Lusa” é diferente de todas as outras “paideias” neste momento vivenciadas por todos os outros povos, pois além de nela – como nas outras – se “ensinar as crianças” a SER homens, e bons cidadãos, ela ensina mais:

Ela ensina a

SER no ESTAR

Sem nele FICAR 

É por isso que hoje, mais de trezentos milhões de falantes em português, ultrapassam diariamente as necessidades materiais da vida, tentando praticar cada vez mais a fraternidade com o seu próximo, na ânsia de estabelecerem uma Paz na Terra com os Homens de Boa Vontade.

E a “Paideia Lusa” está-se a demonstrar como imparável, visto que a cultura que ela encerra ser das mais propícias para atingir tais fins.

Todos os dias e por todo o mundo mais “gentes até aí ignotas” a ela aderem, e dela querem participar. E não há político ou politólogo, economista ou financeiro, ou mesmo legista que a isso consiga obstar.

E tudo isso graças a Deus.

 

continua em: Portugalidade: parte 2