CL 39

A FONTE DO ESPÍRITO

Penso tanto
e nada do que penso, ou sinto
exprimo ou descrevo
no princípio dum símbolo.
A verdade da vida tanto proíbe
que apenas escrevo sobre o mar
quando o limite é o Mundo.

E eu, neófito, abandonado
e deixado no relento da noite do ser,
tento não adormecer ou desistir
de perseverar sobre a Prece.
A Pátria tem a coroa no olhar
e o Fim no desejo de o cumprir.
Assim, permaneço sobre o dorso do Silêncio
que desce sobre a minha boca…

Por fim, renascerei:
pensarei mais do que sonhei até hoje
e concretizarei mais do que pensei.
Meu limite será o Mundo
e o Fim a verdade prometida…

Ah! Penso tanto
e nada tenho para escrever
além daquilo que os anjos concedem!

 

O CAVALO BRANCO

Se uma bandeira surgisse do Mistério
e as insígnias do Rei se revelassem
sobre o altar de Portugal (Sintra),
Lisboa seria tomada pelo nevoeiro
e as igrejas pelas trombetas do Fim.
O Mundo ficaria no término do Tempo
e sonharia o regresso do Rei…

Porém, o brasão de Portugal
está içado nos segredos do Mundo.
Onde existe um português,
existe um espírito a sonhar:
a conquistar contornos da Terra.

Basta ao Homem sonhar o Fim
para que este surja derradeiro…
Já se escuta o troar
do cavalo de D. Sebastião!

 

HISTÓRIA MÍTICA

Ó Pátria, porque é que insistes
em confundir os teus heróis?
Porque é que insistes
em esquecer a história,
em esquecer o teu segredo?

Mas não te entristeças, Pátria,
porque pedirás, no fim dos ciclos,
perdão àqueles que desprezaste
e defenderás os teus heróis.
Então, ao lado de Camões,
repousarão todos aqueles
que souberam sentir Portugal
no invés do que Deus concede.

 
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