CL 41

 

 

PREFÁCIO

«Mariz Rozeira rejeita o biografismo puro mas, na contemplação de manifestações epocais na concretização d’Os Lusíadas persegue o rumo da curiosidade que se prende com a apreensão da fórmula de Fibonacci emergente da estrutura da obra.

Fibonacci e a sua fórmula permitem uma possível resposta à questão que neste texto é leit-motiv: Quid dicis de teipso? e proporciona o encontro do Homem e do Poeta.

Do Homem, porque é este que diz de si enquanto ser instável no percurso que as Parcas permitem.

Do Poeta porque, ao aplicar a fórmula perfeita, se revela como o arquitecto ideal, criador de um organismo perfeito onde tudo é matéria viva e significativa.

Foram muitos os Humanistas que conheceram a fórmula de Fibonacci e a aplicaram às suas obras. Camões, “o homem do saber universal”, segundo Mariz Rozeira, tê-la-á utilizado estabelecendo, desse modo, mais um ponto de encontro com o leitor que incessantemente interroga:

Quid dicis de teipso?

Hoje, são também muitos os especialistas interessados em descobrir a aplicação desse número de ouro 1,618 às obras geniais legadas pelos Humanistas para dar espaço à voz que emerge da realidade significada na perfeição da estrutura.

Mariz Rozeira, ao afirmar: “Mas, no estudo d’ Os Lusíadas, verdadeiro dédalo de caminhos que se bifurcam, em que não há palavra injustificada, tenho deparado com acessos que não buscava e continuo sem encontrar aquele que poderia ilustrar-me nessa preocupação”, confronta-se com os pontos de indeterminação d’ Os Lusíadas e, apoiandose na fórmula perfeita que do texto emerge, deixa que o texto o convoque, colaborando e comprometendo-se enquanto leitor, humilde e atento, na deslumbrante reinstauração do mundo.»

Maria Helena Padrão

 

No sumário desta obra se incluem, além do tema que lhe dá título, os seguintes capítulos: “Os Lusíadas, 1572 – Que Censura”, “Navegação e Entrada”, “Reflexão sobre a Tença de Camões”, “Algumas considerações a propósito do Vocabulário d’ Os Lusíadas: – A Oposição ‘Gente-Rei’, – Os Quatro Elementos”, “O Generoso Henrique”, “O Alentejo n’ Os Lusíadas”, “A Costa Ocidental Africana n’ Os Lusíadas”.
Mais informações em Fundação LusíadaOs Lusíadas e os Números