As gravuras rupestres do Vale Foz Côa, em Portugal, são o grande destaque num artigo publicado esta semana no New York Times. O jornal norte-americano chama a atenção para a importância da paisagem paleolítica que correu o risco de ficar submersa pela água de uma barragem.

“O património da Idade do Gelo que quase se perdeu” é o título do artigo que percorre o Parque Arqueológico do Vale do Côa, “considerado o maior conjunto do mundo de arte rupestre ao ar livre, no vale do rio Côa”.
Antes das descobertas feitas por arqueólogos em Foz Côa, os especialistas “acreditavam que seria impossível descobrir arte do período paleolítico ao ar livre que tivesse sobrevivido até aos dias de hoje”, salienta o artigo.
“Há algo de especial no Côa”, disse Thierry  Aubry, um arqueólogo que trabalha no Museu do Côa, ao jornal norte-americano, salientando que ao contrário das gravuras que se encontram noutros locais, estas imagens do Côa foram esculpidas ao ar livre.Graças a esta descoberta, os arqueólogos estão agora a perceber que, ao contrário do que se pensava, as gravuras rupestres não seriam sempre feitas dentro de grutas. O que deverá ter acontecido é que a maior parte destes vestígios, com a exposição aos elementos naturais, acabou por desaparecer.

Outro arqueólogo que estudou aquele parque, João Zilhão, explica que as gravuras do Côa são muito sofisticadas para época e que não tinham simples motivações religiosas ou místicas. Os especialistas acreditam que estas imagens eram criadas para assinalar, por exemplo, zonas de caça entre os grupos nómadas que circulavam na Península Ibérica.
O NYT elogia o percurso oferecido aos visitantes sublinhando que o Parque Arqueológico do Vale do Côa oferece a possibilidade de fazer visitas guiadas noturnas ao local, com recurso a luzes que iluminam as gravuras paleolíticas.
O artigo dá também destaque à “batalha” que foi travada em Portugal contra a construção da barragem do Côa que ameaçava submergir a arte pré-histórica ali encontrada. Graças a esse movimento, a construção foi travada e o Côa foi considerado, em 1998, parte do Património da Humanidade, pela Unesco.
“Graças a este movimento, os cientistas podem continuar a estudar como viviam os habitantes ancestrais do Vale do Côa”, conclui o artigo.
Em: Boas Notícias |29 de Abril de 2015|