Os mais de 500 anos da presença de portugueses no Canadá são destacados no Museu Nacional da Imigração Canadiano do Pier 21, localizado na cidade de Halifax, no sudoeste do país.

 

“Os portugueses tiveram um papel importante no Canadá moderno. Tentamos refletir isso no salão da Imigração Canadiana, como na galeria do Pier 21, onde estão disponibilizados álbuns de memórias, incluindo o testemunho escrito do imigrante português Maurício Almeida, que aborda a importância de registos expostos dos mais de 500 anos da presença portuguesa no Canadá”, revelou à agência Lusa Jan Raska, investigador do museu.
Segundo aquela responsável “a grande vaga” de imigrantes que desembarcaram através do Pier 21, constituiu um “grupo importante”, contribuindo para a “experiência de chegada” e o “processo de imigração” através daquele terminal.

Localizado em Halifax, na província da Nova Escócia, o Pier 21 é um antigo porto com terminal de navios transatlânticos, que entre 1928 a 1971, recebeu mais de um milhão de imigrantes. Em 1999 deu lugar ao Museu da Imigração, e em 2011 tornou-se oficialmente no Museu Nacional da Imigração no Canadá.
Jan Raska explicou que na entrada da galeria do museu está exposta uma escultura em madeira, numa obra de arte que retrata os 500 anos da presença portuguesa no Canadá, doada após uma reunião em 2003 pelo emigrante Maurício Almeida, que chegou ao Canadá no dia sete de junho de 1966, inicialmente para Montreal, mas depois seguiu para Toronto, onde se estabeleceu, mas que não chegou ao Canadá através do terminal Pier 21.

“Temos uma coleção sobre a imigração portuguesa para o Canadá. Temos passaportes, fotos de famílias, temos uma guitarra, roupas, muito deste espólio foi doado quando abrimos inicialmente como sociedade em 1999. A Casa da Madeira Community Center doou muitos deste artigos, a maioria de imigrantes que chegaram ao Canadá em 1953 e 1954, anterior à grande vaga de imigração para o Canadá, que foi no final da década de 50 e no princípio dos anos 60”, sublinhou à Lusa.
Um dos artigos em destaque na nova Galeria da História da Imigração Canadiana  é uma garrafa com vinho da madeira aberta. Está em exposição na área da ‘Viagem’, sendo um dos artefatos, e chegou ao Canadá com Augusto da Silva em 1953, numa seção que está identificada como ‘O que trarias? Quem e o que deixarias para trás?’. “São duas questões que fazem pensar os visitantes do museu nas escolhas que tiveram de ser feitas quando se tem de deixar a terra natal para vir para um novo país”, salientou o investigador.

Na entrada da galeria do museu também estão expostos artigos relacionados com os 500 anos da presença portuguesa no Canadá, numa montra de vidro, com cinco páginas. A biblioteca do museu disponibiliza ainda uma base de um serviço de pesquisa para todos os interessados sobre a presença portuguesa no Canadá, quer através da imigração, quer através de atividades piscatórias da comunidade portuguesa na Terra Nova.

Outra das vertentes, prende-se com o  Centro de História Familiar do Scotia Bank que está disponível para todos aqueles que pretendem pesquisar informações sobre a árvore genealógica. “Se quiserem pesquisar se algum avô, um tio, ou um pai veio para o Canadá, podemos através das listas de passageiros, podemos descobrir em que navio vieram, em que ano desembarcaram. Também podemos imprimir uma foto comemorativa do navio em que vieram”, explicou.

Todos os interessados em partilharem a sua história de imigração poderão fazê-lo online através do site do museu na internet (www.pier21.ca).
“Acredito na máxima de ‘partilhem as vossas histórias’. Nesse sentido, esporadicamente visitamos a grande área de Toronto, Otava e Montreal, sabemos que são grandes centro de imigração portuguesa para o Canadá. Registos não só de imigrantes que chegaram ao Canadá através do termina Pier 21, informações que estão preservadas”, concluiu.

O Museu tem também registos da presença portuguesa no país, desde os séculos XV e XVI, com nota à denominação da região e mar do Labrador em homenagem ao navegador português João Fernandes Lavrador, que em 1498, juntamente com Pedro Barcelos, explorou aquela região. Mathieu da Costa, de origem portuguesa, foi o primeiro afrodescendente de que há registo no Canadá (1600), e o português Pedro da Silva, foi o primeiro carteiro no Canadá (desde 1673).

Calcula-se que existem no Canadá cerca de 550 mil portugueses e luso-descendentes, estando a grande maioria localizada na província do Ontário.

 

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