Apesar do final conturbado da presença portuguesa no Japão durante os sécs. XVI e XVII, esta ainda durou cerca de um século. Por isso, e apesar da expulsão dos estrangeiros no século XVII, muitos aspectos deste contacto mantêm-se até aos dias de hoje. A expressão mais visível desta herança está na própria língua japonesa. Muitos vocábulos usados diariamente no Japão têm inegavelmente origem portuguesa. Eis alguns exemplos:

Japonês Português
パン (pan) Pão
ボタン(botan) Botão
金平糖 (konpeitō) Confeito (uma espécie de rebuçado)
たばこ (tabako) Tabaco
コップ (koppu) Copo
襦袢 (jiban) Gibão, roupa interior que se usa por baixo de kimonos
キリスト(kirisuto) Cristo
ボーブラ (bōbura) Abóbora (no dialecto de Kyūshū)

 

Antigamente havia muito mais palavras, associadas especialmente ao Cristianismo, que foram caindo em desuso ou foram entretanto substituídas por palavras inglesas. Outras não são muito óbvias, como o caso de “múmia”, em japonêsミラー(mirā), que vem da palavra portuguesa “mirra” (pois esta substância seria usada no processo de mumificação). Também nós usamos palavras japonesas no nosso quotidiano, talvez sem darmos conta!

Por exemplo, desde palavras que retém sensivelmente o mesmo significado em ambas as línguas, como “biombo” (屏風 byōbu), “catana” (刀 katana), “chá” (茶 cha), até palavras menos agradáveis como “sacana” (魚 sakana), que no original japonês significa “peixe” (e chegou até nós de maneira bastante deturpada…).

Para além disso, algumas iguarias tipicamente japonesas são “descendentes” de pratos portugueses. O “avô” da tempura é nem mais nem menos que o nosso peixinho-da-horta, e quem já não se deliciou com Castella, o pão-de-ló japonês?

 

em Observatório da Língua Portuguesa. Ver artigo