O sofá “Hughes” foi desenhado pelo designer Sérgio Mendes e venceu o Prémio Internacional de Design e Arquitectura 2014

 

O sofá “Hughes” venceu o Prémio Internacional de Design e Arquitectura 2014, na categoria “seating”, atribuído pela revista “Design et al“. Sérgio Mendes, 24 anos, foi o designer desta peça, que faz parte da colecção “Time”, da marca portuguesa de mobiliário Munna. O evento decorreu em Londres, no Hurlingham Club, no passado dia 12 de Setembro.

 

A par do “Hughes” estavam nomeadas para o prémio mais de 50 peças distribuídas por várias categorias. Na categoria “seating” estavam a concorrer cinco peças, entre as quais o sofá português. Os vencedores deste concurso foram eleitos através de uma votação “online”, aberta a votantes de todo o mundo.

 

Sérgio Mendes trabalha na Urbanmint, em Matosinhos, na empresa detentora das marcas Munna e Ginger & Jagger há dois anos. O designer confessa ser um curioso por peças vintage e um ficcionado pelos movimentos artísticos que estiveram presentes entre os anos 20 e 70.

 

Sensação de “flirt”

A peça foi inspirada em Howard Robard Hughes, um dos grandes sonhadores e rebeldes dos anos 30, 40. Foi aviador, engenheiro aeronáutico, industrial, produtor e realizador de cinema e um dos homens mais ricos do mundo. Sérgio Mendes afirma que, tendo em conta que Hughes ficou conhecido por ser um rebelde e desafiar todos os limites, o nome eleito para o sofá justifica o próprio conceito e as emoções que o sofá proporciona. “A agitação da época à qual remete o sofá enalteceu em mim a vontade de criar algo exuberante, imponente e que ao mesmo tempo desse aquela sensação de ‘flirt’”, conta Sérgio Mendes ao P3.

 

O sofá “Hughes” tem um toque clássico e combina materiais nobres como a madeira e o metal. É estofado em veludo composto 100% por algodão, os rodapés são produzidos em folha de ébano e chapeados em latão. Esta peça quebra a simetria na sua parte de trás através de uma ondulação suave que segue a linha do corpo. Apresentou-se primeiramente num tom azul acinzentado ou “blue grey”, mas de acordo com o designer pode ser personalizável de acordo com o pedido do cliente, tal como todas as peças da Munna. “Temos a nossa própria colecção de tecidos, mas também é possível o cliente enviar-nos o tecido que pretende ter na peça”, sublinha o designer.

 

O “Hughes” é o resultado de uma fusão entre o artesanato e a criatividade. Este sofá é produzido por artesãos especializados no estofo, na concepção do casco e nos metais. Segundo Sérgio o “Hughes” encontrou um ponto de equilíbrio, é uma peça com impacto, confortável e peculiar no que diz respeito à sua produção, porque as curvas da peça reclamam um estofamento muito minucioso e os rodapés um trabalho preciso. “Sempre que eu desenho tenho em conta a parte técnica, o que acaba por me trazer novos estímulos. É preciso encontrar harmonia para que a peça possa ser desenvolvida”, refere Sérgio.

 

Peças com nomes de pessoas

O sofá pertence à colecção “Time”, que nos transporta para uma nova abordagem da Munna. Os nomes que são atribuídos às criações são nomes de pessoas e as peças são contextualizadas em décadas históricas, mas com novos materiais, como o metal e novas técnicas. É uma colecção inspirada em peças de design contemporâneo, mas com um toque do passado.

 

A peça é, conforme o designer, exuberante e tem uma forma muito íntima, pois cada pessoa vê e sente o “Hughes” de uma maneira diferente. “A assimetria que há no ‘Hughes’ está associada a uma atitude rebelde de conseguirmos criar algo diferente”, menciona Sérgio.

 

O sofá “Hughes” foi apresentado em Setembro de 2013, na “Maison & Objet” em Paris e tem como dimensões 240 centímetros de largura, 95 centímetros de profundidade, 95 centímetros de altura e 44 centímetros de altura do assento. O “Hughes” leva semanas a ser produzido e custa entre quatro mil e sete mil euros.

 

A Munna nasceu em 2008 e actualmente está em cerca de 43 países. Esta é a segunda vez que a marca recebeu o Prémio Internacional de Design e Arquitectura, sendo que lhe foi atribuído pela primeira vez, em 2012, com a poltrona “becomes me”. “O primeiro prémio permitiu que a marca ganhasse reconhecimento, mas este prémio abre-nos novas portas, novos rumos e novos desafios, permitindo-nos alcançar os sítios mais inacessíveis”, sublinha o designer.

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Em: P3 | Texto de Tânia Durães - 30/09/2014