A Fundação Calouste Gulbenkian exibe até 15 de Fevereiro, uma colecção de livros sobre Luís de Camões, datados do século XVI até à década de 30 do século XX. Os livros integram a colecção de D. Manuel II, reunida ao longo do seu exílio em Inglaterra.

«D. Manuel II e os Livros de Camões» é o tema da exposição que pode ser visitada na sede da fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, até 15 de Fevereiro.Concebida artisticamente pelo arquitecto Mariano Piçarra, e dispersa por três núcleos, a mostra inclui para além dos livros, uma escolha de retratos de Luís de Camões, “provenientes de vários museus e instituições”, e um conjunto de fotografias e objectos “relativos ao Rei que constituiu a colecção”, como explica José Augusto Bernardes, que comissaria a exposição juntamente com Raquel Henriques da Silva.

A mostra dá a conhecer obras adquiridas pelo último rei de Portugal, D. Manuel II (1889-1932), e que há décadas não saíam do Paço Ducal de Vila Viçosa. Esta oportunidade rara resulta de uma colaboração entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Casa de Bragança.Assim, na Gulbenkian podem ser vistos, entre outros exemplares, as primeiras edições de ‘Os Lusíadas’, das ‘Rimas’ e do ‘Teatro’ “e ainda exemplares de edições que, por um motivo ou por outro, haveriam de ficar famosas”.

“Refiram-se, a título de exemplo, a pequena mas curiosíssima edição “…dos piscos” (1584) ou realizações de grande aparato como ‘Os Lusíadas’, publicados em Paris pelo Morgado de Mateus, no ano de 1817”, explica José Augusto Bernardes.“A exposição que agora tem lugar pretende reconstituir a fortuna editorial daquele que é ainda, sem dúvida, não apenas o autor de Língua Portuguesa mais lido e estudado, como também aquele que mais impacto tem tido na criação literária e artística de todas as épocas e na sensibilidade das diferentes comunidades políticas que se exprimem em português.

São esses mesmos testemunhos de sensibilidade pessoal e colectiva, maioritariamente reunidos por um Rei patriota, que agora se mostram”, destaca  ainda José Augusto Cardoso Bernardes na apresentação da exposição feita na página da Gulbenkian na Internet. Já Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da Fundação Casa de Bragança, considera que esta é uma exposição “singular”, acima de tudo, “pelo amor nacional e pela visão de D. Manuel II, sem cujo persistente espírito de coleccionador e de estudioso, Portugal e os portugueses nunca teriam podido beneficiar de uma biblioteca tão rica e tão ilustrativa de tempos memoráveis da sua História Pátria”.

Para além da exposição, têm ocorrido debates temáticos, que são realizados no auditório 3 da Fundação. A 28 de Janeiro, a partir das 18h, vai debater-se “Camões na Escola de Portugal: uma presença sem faltas”, por Rui Afonso Mateus (moderador) e Maria Ana Ramo. O último debate acontece a 11 de Fevereiro, à mesma hora do anterior, centrado no tema «Os rostos de Camões” e conduzido por Vítor Serrão. Nos dias dos debates temáticos, haverá visitas especiais à exposição, asseguradas pelos comissários, pelo arquitecto Mariano Piçarra e pelos membros da equipa de camonistas que participa no projecto.

 

D. Manuel II e os Livros de Camões
Fundação Calouste Gulbenkian
Galeria de Exposições
Av. de Berna, 45 – Lisboa
Em exposição até 15 fev 2016
Visitas das 10h às 18h
O espaço encerra às terças

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