Defesa da ideia foi feita pelo presidente dessa fundação que acusa os políticos de falta de interesse pelo assunto

O presidente da Fundação Lusíada defendeu no III Congresso da Cidadania Lusófona, decorrido entre 31 de Março e 1 de Abril, a criação de um passaporte para todos os falantes de português acusando os políticos de falta de interesse pelo assunto.

“Fala-se muito de lusofonia, e sobretudo os políticos para angariarem votos, mas nunca para cumprirem aquilo que eles dizem que querem fazer. Não vejo nenhum partido com coragem nacional e lusófona para pôr o assunto nos programas eleitorais”, disse à Lusa Abel de Lacerda Botelho, presidente da Fundação Lusíada, que defende um documento comum para todos os cidadãos que falam português.

“Ou existe ou não existe uma cidadania lusófona. Se existe vamos pô-la na prática e, para isso, tem de se começar por ter um cartão de identidade comum a todo o ser lusófono: seja ele angolano, português, brasileiro ou timorense”, afirmou.

Para Abel de Lacerda Botelho, com o “passaporte lusófono” ficaria garantida a circulação com facilidade entre os falantes de língua portuguesa assim como todos os cidadãos lusófonos seriam respeitados pelos outros países e pelos outros povos que “infelizmente estão a ter atitudes de revanche com a lusofonia”.

“Esse passaporte deveria pôr de parte, de uma vez por todas, a obrigatoriedade de haver vistos para os brasileiros entrarem em Portugal; para os portugueses irem trabalhar para Angola, ou para os angolanos irem para São Tomé e Príncipe ou Brasil”, acrescentou o responsável pela Fundação Lusíada.

O III Congresso da Cidadania Lusófona discutiu a “importância das diásporas” com Zeferino Boal, da Casa de Angola; Carlos Mariano Manuel, da Liga Africana e José Mário Botelho da Academia Brasileira de Filologia. Por seu lado, Renata Baracat do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior afirmou que é importante conhecer a História do Brasil e de Portugal para se conseguirem melhores benefícios futuros.

Baracat acrescentou ainda que os acordos comerciais e culturais entre os dois países são recentes, insuficientes urgindo a sociedade civil a tomar iniciativas que promovam as ligações entre “os dois lados do Atlântico”.

“Dentro das diásporas há varias formas de se trabalhar: entre governos mas também entre a sociedade civil, como associações que conduzem a uma verdadeira cidadania lusófona”, defendeu Renata Baracat.

O congresso que decorreu na Sociedade de Geografia, em Lisboa, visou maioritariamente abordar a importância das diásporas para Goa, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Malaca, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

 

Em: dnoticias.pt