A Mensagem

 

Se a “maneira de ser humano”, e de estar no mundo como luso, é apanágio do homem lusitano, que foi crisolizada após a formação do Reino, ela eleva-se sobretudo a partir dos reais feitos, e de seus efeitos reais, praticados pela

ÍNCLITA GERAÇÃO

Assim o entendeu Fernando Pessoa que no seu poema ”A Mensagem” nos fala, nos descreve, e nos profetiza:

No Sétimo Castelo, dedicado a D. Philippa de Lencastre, o poeta diz-nos:

 

“Que enigma havia em teu seio

Que só génios concebia?

Que archanjo teu sonhos veio

Velar, maternos, um dia?

Volve a nós teu rosto serio,

Princesa do Santo Gral,

Humano ventre do Império

Madrinha de Portugal”.

E Fernando Pessoa na “Coroa” põe como cabeça do Grypho, o Infante D. Henrique. Esse Homem que teve por divisa “talent de bem fazer”.

“Em seu throno entre o brilho das esferas,

Com seu manto de noite e solidão,

Tem aos pés o mar novo e as mortas eras –

O único imperador que tem, deveras

O globo mundo em sua mão”.

“Por isso, no “mar Português” ele dedica a esse “Infante” o primeiro poema.

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce,

Deus quis que a terra fosse toda uma

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma”

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou, creou-te portuguez

Do mar e nós em ti nos deu signal

Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez

Senhor, falta cumprir-se Portugal”.

Contudo, as “eras” foram passando e a incerteza instala-se na Fé, e mais que na Fé na Esperança, e só o nevoeiro tudo hoje envolve.

“Nem lei nem rei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra,

Que é PORTUGAL a entristecer -

Brilho sem luz e sem arder

Como o que o fogo-fatuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro

Ó Portugal, hoje és nevoeiro

É a hora!”

É a Hora de quê? E para quê?

“Ah, quanto mais ao povo a alma falta,

mais a minha alma atlantica se exalta

E entorna

E em mim, num mar que não tem tempo ou

                                                                                   spaço.

Vejo entre a cerração teu vulto baço

Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,

Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora

Mysterio…”

E a Portugalidade, não é só isto, mas é tudo isto.

“Ah, quanto mais ao povo a alma falta,

Mais a minha “alma atlântica” se exalta

E entorna.

 

Querido Luso

A tua portugalidade está nisto:

Deixa a tua “Alma atlântica”

Se exaltar, e entornar,

Por tudo o que te cerca,

E por todos os que te rodeiam.

Mas afinal o que é essa “alma Atlântica”? O que é o “Atlântico? O que é o Oceano? O que é o MAR? Esse “MAR” é realmente o “fluido” onde a “alma lusa” nasceu, viveu, e habitará perenemente:

“O mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram

Quantos filhos em vão rezaram

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!”

“Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu

Mas nele é que espelhou o céu”.

 Por isso o luso que tu és, sabes que só com trabalho árduo, constante e eficaz é que o homem se consegue realizar e ir além do limite normal.

“Não sejas só no estar,

Pois no estar não deves ficar”

É só para além desse limite, que só se ultrapassa com dor e sacrifício, é que é possível encontrar-se o verdadeiro sentir do Belo e do Bem e da Paz.

Por isso, o luso, sabe que

Ele é no ESTAR

Mas sabe mais, ele sabe, que não deve permanecer no Estar. Ele sabe que no Estar ele não deve ficar. Ele sabe que não se pode ser simplesmente contente ou feliz no Estar;

Pois “ser descontente é ser homem”

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Por isso, é que Fernando Pessoa nos ensina a vivermos na portugalidade, a sermos no estar, sem no estar ficar.

“Triste de que vive em casa,

Contente com o seu lar

Sem que um sonho, no erguer da asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raiz -

Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem

No tempo em que eras vem,

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!”

 

Mas afinal qual a certeza, de que a cultura, a paidéia lusa, a Portugalidade, é efectivamente uma vivência, um caminho que poderá levar a “alma do homem terrestre” a atingir a sua plenitude, a sua plena realização?

Fernando Pessoa, entre outras muitas verdades, sabia que uma das leis cósmicas, astro-físicas, implica que no astro – Terra, as civilizações dos seres viventes que nela habitam, se movem ao redor dela, no sentido contrário à sua própria rotação planetária. Isto é: as “civilizações na Terra” rodam e seguem-se umas às outras, no sentido contrário à rotação da Terra sobre o seu próprio eixo.

Assim:

Como o planeta Terra roda-gira – sobre o seu próprio eixo, da esquerda para a direita, no sentido pois contrário ao andamento dos ponteiros de um relógio; as civilizações humanas existentes na sua superfície, rodam ao contrário, ou seja: da direita para a esquerda, no mesmo sentido dos ponteiros de um relógio.

Por isso, é que nos últimos QUATRO MIL ANOS, as civilizações terrestres RODARAM e seguidamente desde as planuras das terras Chino-Nipónicas para as Mongóis-Tibetanas, e depois Indo-Persas e a seguir vieram as Sumérias e Egípcias a que advieram as Gregas, Romanas, e depois (as da Cristandade) – finalmente as Europeias, e no advir de futuras eras, virão as Atlânticas, e por isso, é que Fernando Pessoa – ABRE o seu poema “MENSAGEM” dizendo que:

“A Europa jaz, posta nos cotovelos

..…………………………………..

Fita, com olhos sphyngico e fatal,

O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é PORTUGAL”.

E Fernando Pessoa, mais nos desvenda o mistério civilizacional da nossa Era e TEMPOS esclarecendo-nos na verdadeira Portugalidade:

“E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.

 

Grécia, Roma, Christandade

Europa – os quatros se vão,

Para onde vae toda edade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?

Quem vive essa verdade, é o Ser luso, se no seu dia, e quotidianamente, viver e difundir a sua portugalidade.

 

Adere ao “sítio da Portugalidade”, penetra nele e vivencia-o.

Não fiques num estado de alma “ledo e cego”

Pois ser descontente é ser homem”.

Deixa a tua “alma atlântica”

Exaltar-se e entornar-se.

 

 

Natal de 2013.