Visão filosófica que ANTÓNIO TELMO nos expôs da “Esfera  Armilar”, no seu livro Filosofia e Kabbalah.

 

ESFERA ARMILAR

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Álvaro Ribeiro: “A estrela sobrenatural aliada à esfera armilar é um símbolo que os estetas ainda não interpretaram devidamente, porque não prestaram suficiente atenção ao enigma da eclíptica.”

 

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A eclíptica significa o movimento da cruz na esfera, determinando os solstícios e os equinócios, as quatro estações e os quatro ventos.

 

3

A esfera é o desenvolvimento infinito da mónada.

 

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Sobre a eclíptica de uma “esfera armilar” dos Jerónimos lê-se: Emanuel Rei de Portugal e do Resto. Eis D. Manuel I identificado com o Rei do Mundo.

 

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A cruz potêntea ou potentada, de que a cruz da Ordem de Cristo constitui uma espécie, é formada por quatro taus apontados a um centro.

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Os taus determinam outros pontos ou mónadas na circunferência.

7

Cada composto é formado por uma multidão de mónadas, mas há em cada composto uma mónada central a que poderíamos chamar a mónada das mónadas desse composto.

 

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Sendo a cruz da Ordem de Cristo, uma cruz de poder, que tem por fim servir de reflexão preparatória da iniciação mágica, deve ser posta em correspondência com o microcosmos, isto é, com o composto humano.

 

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O homem decaído é policêntrico, como policêntricos são alguns arcos das portas manuelinas. Noutras palavras: o centro da vida vegetativa e o centro da vida intuitiva não coincidem com o centro da vida mental e nenhum com qualquer dos outros.

 

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Da minha vida instintiva e da minha vida vegetativa e, com muito mais razão, da minha vida mineral, tenho um conhecimento só exterior, como se eu fosse alheio a mim mesmo. Sou um ser quádruplo dividido. O centro, a origem a fonte invisível donde brotam ou irrompem ou partem as quatro linhas do ser, permanece misterioso e insondável. Somos interiores a nós mesmos e, no entanto, tudo se passa como se nada soubéssemos ou pudéssemos em nós.

 

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Encontrar esse ponto original, atacando por um dos taus: uma das vias possíveis de realização mágica.

 

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Porque não há outra forma de começar que não seja reflexiva ou mental, o pensamento deve encontrar-se no fim de tudo ou no centro de tudo como a energia das energias.

 

13

As cores da cruz da Ordem de Cristo dizem que a via era a do sangue, quer dizer que se levava o pensamento a coincidir com o princípio da vida.

 

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O pensamento de simplesmente reflexivo, pela realização mágica, reintegrava-se na sua energia criadora e vida, mónada restituída à sua prerrogativa primordial de imagem projectada da Mónada das Mónadas, mais tudo quanto ganhou na viagem”.

 

António Telmo do Livro Filosofia e Kabbalah

Guimarães Editores, Ld.ª – Outubro 1989.