Nono filho do príncipe D. Fernando (1433-1470) e neto de D. Duarte I, nasceu em Alcochete a 31 de Maio de 1469 e faleceu em Lisboa, nos Paços da Ribeira, a 13 de Dezembro de 1521. Com o assassinato de seu irmão D. Diogo, duque de Viseu, em 1484, D. Manuel ascendeu ao primeiro lugar na linha legítima da sucessão ao trono. Na mesma altura recebeu todos os bens de seu irmão e os títulos de duque de Beja, condestável do reino e mestre da Ordem de Cristo.

Logo após a morte de D. João II inicia uma politica de reconciliação nacional com a nobreza perseguida pelo seu cunhado, restituindo os bens e os títulos confiscados, do que resultou, entre outros, a reinstalação da casa de Bragança, que tinha sido extinta em 1483.

No seu reinado de 26 anos destacam-se como acontecimentos de maior relevo, as reformas dos antigos forais, a publicação entre 1512 e 1521 das Ordenações Manuelinas, a reforma da heráldica nacional e reorganização jurídico-administrativa e burocrática do Estado; a infeliz decisão, tomada sob pressão dos reis Católicos, de expulsar os judeus e mouros que não se convertessem (Dezembro de 1496); a reforma dos pesos e das medidas; a chegada de Vasco da Gama à Índia (1497-99) e o descobrimento do Brasil em 1500; o estabelecimento do império Português no Oriente, sobretudo a partir da acção de D. Afonso de Albuquerque.

D. Manuel I «O Grande» e também «O Venturoso», casou em Outubro de 1497 em primeiras núpcias com D. Isabel de Castela (1470-1498), filha dos reis Católicos; em segundas núpcias a 20 de Outubro de 1500, com D. Maria de Castela (1482-1517), irmã da sua primeira mulher; e em terceiras núpcias a 24 de Maio de 1518 com D. Leonor de Áustria (1498-1558), filha do rei Filipe I de Espanha e irmã de Carlos V.

Da sua descendência destacam-se, além do príncipe D. João, seu sucessor, a princesa D. Isabel (1503-1539), imperatriz da Alemanha por casamento com o imperador Carlos V (1526) e mãe do futuro rei de Portugal Filipe I (II de Espanha); D. Beatriz (1504-1521), duquesa de Sabóia; D.Luís (1506-1555), condestável de Portugal, duque de Beja e pai de D. António, Prior do Crato, aclamado rei de Portugal em 1580; D. Henrique (1512-1580), o cardeal-rei, último da dinastia de Avis; e D. Duarte (1515-1540), duque de Guimarães.

Como insígnias pessoais adoptou D. Manuel I a cruz da Ordem de Cristo e a esfera armilar, razão porque aparecem pela primeira vez nas moedas deste reinado.

Assim apresentamos os principais trajos usados em Portugal no início da dinastia de Avis:

D. Manuel I - O Venturoso (1495-1521)

 

Nessa época era usado pelas Camponesas, os trajos festivos identificados na gravura pelos nr´s 1, os Nobres vestiam como figura nr´s 2, 3 e 4, as Burguesas como na figura 5, já os Jovens aldeãos vestiam como nas figuras nr. 6 e 7, e os soldados com as armaduras como figura nr. 8.

 

Em: Gomes, Alberto e Trigueiros, António Miguel (1992), Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos, 1385-1580. Lisboa.