Filho primogénito de D. Duarte I e D. Leonor de Aragão, nasceu em Sintra a 15 de Janeiro de 1432 e faleceu também em Sintra a 28 de Agosto de 1481.

Após a morte de D. Duarte, em 1438, a regência do reino foi primeiro entregue à rainha-viúva, mas desde 1439 exercida pelo seu tio D. Pedro, duque de Coimbra, até 1448, quando D. Afonso V assume finalmente o governo. Pouco tempo depois tem lugar o trágico evento de Alfarrobeira (20 de Maio de 1449), que custaria a vida do «Infante das Sete Partidas do Mundo». Durante a regência do infante D. Pedro, inicia-se o povoamento do arquipélago dos Açores (1438) e o Infante D. Henrique recebe o monopólio da navegação e do comércio das terras descobertas para além do Cabo Bojador (1443); são publicadas as Ordenações Afonsinas, copilação das leis e do direito vigente em Portugal, iniciadas no reinado de D. João I, mas só concluídas em 1446; e os navegadores ao serviço do Infante D. Henrique atingem as costas da Guiné (1444-1446).

D. Afonso V retomou a política de expansão Africana, interrompida desde o desastre de Tânger em 1437. Após a queda de Constantinopla em 1453 e perante o apelo de cruzada contra os turcos lançado em 1457 pelo papa Calisto III, o monarca português reúne uma armada em Lisboa e cria uma nova moeda de ouro, o «cruzado do rei Afonso de Portugal», preparando-se para ir combater os infiéis. Tendo entretanto falecido o papa e abandonada a ideia de cruzada, a armada portuguesa foi utilizada numa expedição à costa marroquina, tendo conquistado em 1458 a cidade de Alcácer Ceguer. Novas expedições têm lugar em 1463-64, sem sucessos, mas a 25 de Agosto de 1471 conquista Arzila e os mouros abandonam Tânger.

Pouco depois envolve-se D. Afonso V nos problemas da sucessão da coroa de Castela, em defesa dos interesses da sua sobrinha D. Joana (1462-1530), acalentando o projecto de reunir as coroas de Portugal e de Castela. Em Maio de 1475 o rei português invade o território castelhano, dando assim origem à guerra com os reis Católicos, Isabel e Fernando, cujo episódio mais conhecido é a célebre batalha do Toro (2 de Março de 1476). Entre Março de 1476 e Novembro de 1477, D. Afonso V ausenta-se para França, onde foi pedir ajuda militar, sem sucesso. A paz seria firmada a 4 de Setembro de 1479, na vila de Alcáçovas e o tratado que dela resultou representa, também, a primeira divisão do «mundo a descobrir» entre Portugal e Castela pelo paralelo das Canárias.

D. Afonso V casou a 26 de Maio de 1447 com sua prima D. Isabel de Lencastre (1432-1455) filha do infante D. Pedro, tendo como filhos D. Joana (1451-1490), beatificada em 1643; e o príncipe herdeiro D. João.

Em segundas núpcias casou a 30 de Maio de 1475 com D. Joana de Castela (1462-1530), sem que tivesse sido consumado o matrimónio.

Pelas suas esforçadas campanhas guerreiras no Algarve d´além Mar, recebeu o cognome de «O Africano».

Assim apresentamos os principais trajos usados em Portugal no início da dinastia de Avis:

 

 

 

 

 

Nessa época era usado pelos Burgueses, os trajos identificados na gravura pelos nr´s 1 e 2, os Jovens da nobreza vestiam como figura nr. 3 e 4, o Gentil-homem como figura 5, já o Jovem Frade franciscano vestia como figura nr. 6, a Dama como figura nr. 7, o Nobre como figura n. 8 e o Besteiro com a armadura como figura nr 9.

 

Em: Gomes, Alberto e Trigueiros, António Miguel (1992), Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos, 1385-1580. Lisboa.