Filho primogénito do segundo matrimónio de D. Manuel I, nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1502 e faleceu também em Lisboa a 11 de Junho de 1557.

Poucos meses depois de D. João III ter sido aclamado rei, chegou a Espanha o único navio sobrevivente da frota de Fernão de Magalhães (1480?-1521), notícia que foi recebida na corte de Lisboa com grande preocupação, pelo que podia representar de ameaça ao comércio português das especiarias.

Do litígio que se seguiu , conhecido pela «questão das Molucas» resultou o tratado de Saragoça (22 de Abril de 1529), pelo qual a coroa espanhola desistiu dos «direitos às Molucas» em troca do pagamento de 350.000 cruzados (cerca de 1,225 quilos de ouro).

No reinado de D. João III acentua-se a expansão ultramarina para Oriente, alcançando-se o Japão em 1543 e consolidando-se o monopólio comercial, se bem que à custa de um enorme sorvedouro de homens e de dinheiro; a Ocidente, inicia-se a colonização do Brasil (desde 1530). Quase em simultâneo com o estabelecimento do tenebroso tribunal da inquisição (1536), dá-se a reforma da Universidade, que é transferida em 1537 para Coimbra. Em 1542-1548 é fundado o Colégio das Artes, fruta da abertura da cultura portuguesa ao humanismo renascentista, que a censura literária é intelectual da Inquisição irá fazer abortar. Pouco depois começa a grande diáspora dos cristãos-novos, os judeus convertidos à força no reinado de D. Manuel I e cujo êxodo privou Portugal de um importante escol de agentes económicos, de cientistas e de artífices. Como consequência dos graves problemas financeiros ocasionados com as despesas das armadas, com os excessivos gastos na corte e com os casamentos de princesas reais – em 1526, D. Isabel filha de D. Manuel I, teve de dote 900.000 cruzados, aproximadamente 3.150 quilos de ouro – com as guerras na Índia e com as constantes pilhagens dos corsários franceses, tiveram que ser abandonadas várias praças fortes marroquinas (Safim e Azamor. Em 1541, Alcácer Ceguer em 1549 e Arzila em 1550), foi encerrada a feitoria da Flandres em 1549 e a própria casa da Índia abriu falência em 1560. D. João III casou a 5 de Fevereiro de 1525 com D. Catarina de Áustria (1507-1578), filha de Filipe I de Espanha, de quem teve nove filhos, todos com excepção do príncipe D. João (1534-1554) falecidos de pouca idade.

D. João III adoptou como insígnia a cruz do monte Calvário, que também o era da Inquisição, que aparece ilustrada em moedas de ouro deste reinado.

Nessa época era usado pelo Mercador o trajo identificados na gravura pelos nr´s 1, a Criada de casa nobre vestia como figura nr´ 2, o Servidor de casa nobre como nas figura 3, já os Nobres vestiam como figuras nr´s. 4 e 5, o Gentil-homem como figura nr. 6, a Dama da corte como figura nr. 7, e o Oficial de guarda como figura nr. 8.

 

Em: Gomes, Alberto e Trigueiros, António Miguel (1992), Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos, 1385-1580. Lisboa.