Filho de D. Afonso V e de D. Isabel de Lencastre, nasceu em Lisboa a 4 de Maio de 1455 e faleceu no lugar de Alvor a 29 de Outubro de 1495.

Administrador da Ordem de Avis, foi armado cavaleiro em Arzila, em 1471 e exerceu o governo do reino durante as campanhas militares de D. Afonso V em Castela. Tende este partido para França e pensando ir visitar os lugares santos, escreveu ao filho ordenando-lhe que se fizesse aclamar rei, o que de facto aconteceu em Santarém a 27 de Setembro de 1477. O regresso inesperado de D. Afonso V pôs termo a um curto período de realeza dupla, muito embora o governo efectivo do reino estivesse desde então virtualmente nas mãos do príncipe.

Em 1481 recebeu de seu pai a concessão da renda dos tratos da Guiné, cuja exploração comercial dirigiu. O castelo de S. Jorge da Mina foi mandado construir nesse mesmo ano, tendo ficado concluído em 1482, o que muito impulsionou os rendimentos reais. Seguindo uma apolítica de centralização do poder real, abateu de forma implacável a conspiração da alta nobreza, que o considerava um tirano. Em 1483 manda executar o 3º duque de Bragança, D. Fernando, confiscando-lhe depois todas as suas terras e vastos senhorios; em 1484 apunhalou o duque de Viseu, D. Diogo, irmão da rainha e mandou executar ou assassinar muitos dos fidalgos conspiradores contra a sua vida.

Liquidada toda a resistência interna ao seu governo absoluto, D. João II pode então imprimir uma grande dinâmica à política de expansão ultramarina, de que as viagens de Diogo Cão (1482-1484 e 1484-1486), Bartolomeu Dias (1487-1488), Pêro da Covilhã e Diogo de Paiva (1487), são os principais marcos. Ainda em 1484 recebe de Cristóvão Colombo a proposta de financiamento de uma viagem até à Índia, navegando para Ocidente, sem escalas. Conhecedor do erro de Colombo, no cálculo da circunferência do globo e, portanto, da verdadeira distância a que ficava a Ásia da Europa, pelo Ocidente, D. João II recusou a proposta e insistiu na sua rota de sempre, e do Oriente pelo Cabo da Boa Esperança.

A descoberta do novo mundo Americano, em 1492, ocasionou um conflito entre os dois reinos ibéricos, e levou à assinatura do famoso Tratado das Tordesilhas (7 de Junho de 1494), ficando então o mundo dividido em duas grandes zonas reservadas à expansão portuguesa e espanhola, D. João II casou a 22 de Janeiro de 1471, em Setúbal, com D. Leonor de Lencastre (1458-1525), filha do duque de Viseu, D. Fernando e neta do rei D, Duarte. O seu filho primogénito, D. Afonso (n.1475) faleceu em 1491 vítima de um acidente de cavalo, tendo D. João II tentado nomear o seu filho bastardo, D. Jorge (1481-1550) o que não conseguiu pela forte oposição movida pela rainha. Antes de falecer, instituiu como herdeiro da coroa o único neto vivo do rei D. Duarte, D. Manuel, duque de Beja. No reinado de D. João II, O Príncipe Perfeito, foram reformadas as armas nacionais, em 1485, tendo sido retirada a cruz da Ordem de Avis, postos a direito os dois escudetes laterais do escudo das quinas e fixado em sete o número de castelos na bordadura do escudo.

Assim apresentamos os principais trajos usados em Portugal no início da dinastia de Avis:

 

 

 

 

 

 

Nessa época era usado pelos Jovens Cortesãos, os trajos identificados na gravura pelos nr´s 1 e 2, os Mercadores vestiam como figura nr´s 3, as Damas da Nobreza como nas figuras 4 e 7, já o Jovem burguês vestia como figura nr. 5, o Artesão como figura nr. 6, o Nobre como figura nr. 8, e os soldados com as armaduras como figura nr. 9.

 

Em: Gomes, Alberto e Trigueiros, António Miguel (1992), Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos, 1385-1580. Lisboa.