A segunda dinastia portuguesa tem início a 6 de Abril de 1385 com a eleição do Regedor do Reino, D. João, mestre da Ordem de Avis, como rei de Portugal e do Algarve.

Filho bastardo do rei D. Pedro I (1320-1367), D. João I nasceu em Lisboa a 11 de Abril de 1357 e faleceu também nesta cidade a 14 de Agosto de 1433. Foi mestre da ordem de Avis e por isso mesmo a dinastia a que deu aso ficou na história, como dinastia de Avis. Do seu longo reinado de 48 anos, quase todos passados em operações militares contra Castela (a paz só veio em 1411), dois notáveis acontecimentos tiveram lugar, marcando desde então profundamente o imaginário colectivo da nação portuguesa. A Batalha de Aljubarrota, travada a 14 de Agosto de 1385 com ajuda inglesa contra o invasor castelhano e os franceses, representa o mais expressivo episódio desta longa guerra pela independência nacional, uma estrondosa vitória cuja memória ficou perpetuada pela construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha). E a conquista da cidade marroquina de Ceuta, a 21 de Agosto de 1415, marca o início da expansão territorial portuguesa em África, antecedendo em cerca de três anos o início da grande aventura da expansão marítima europeia.

D. João I casou a 2 de Fevereiro de 1387, no Porto, com a neta do rei Eduardo II de Inglaterra, D. Filipa (1360-1415), filha do duque de Lencastre, João de Gante. A sua descendência notabilizou-se na época por uma elevada cultura, espírito heróico e de cruzada. Além de D. Duarte, seu sucessor no trono, teve como filhos legítimos D. Pedro (1392-1449), duque de Coimbra e de Treviso, regente do reino durante a menoridade de D. Afonso  V (1439-1448) e uma das personalidades mais marcantes deste período; D. Henrique (1394-1460), Governador da Ordem de Cristo e que a história popularizou como «Navegador»; D. Isabel (1397-1471), duquesa de Borgonha pelo seu casamento com Filipe «O Bom» (1429) e em cuja honra foi instituída a prestigiosa ordem de cavalaria do Tostão de Ouro; Outros filhos do rei D. João I foram:

D. João (1400-1442), mestre da Ordem de Santiago, Condestável de Portugal e avô da rainha Isabel a Católica de Espanha; e D. Fernando (1402-1443), o «Infante Santo», mestre da Ordem de Avis, morto cativo em Fez para que Ceuta não fosse restituída.

Todos os filhos de D. João I e da rainha D. Filipa de Lencastre constituíram pois a “chamada “Ínclita Geração”

Com D. João I o escudo das armas nacionais passou a incorporar a cruz verde flor-de-lizada da Ordem de Avis, sob o escudo das quinas, assim figurando até à reforma de 1485.

Da história recebeu este rei o cognome de «O Rei da Boa Memória”.

A influência da corte Inglesa juntamente com a de Bolonha e da casa real de Aragão influenciaram neste reinado decisivamente o trajo e o vestuário usado até então em terras Portuguesas, dando início a uma verdadeira revolução na arte de vestir e no vestiário militar, que a partir desta data começou- pode-se afirmar por dar origem – com cunho especial local – a0 desenvolvimento do trajo em Portugal.

Assim apresentamos os principais trajos usados em Portugal no início da dinastia de Avis:

Evolução Trajos (1385-1433)

 

Nessa época era usado pelos Camponeses, os trajos identificados na gravura pelos nr´s 1 e 2, os Nobres vestiam como figura nr´s 3 e 4, os Jovens Cortesãos como nas figuras 5 e 6, já os Mercadores vestiam como figura nr. 7, os Monges como figura nr. 8, e os soldados com as armaduras como figura nr. 9.

 

Em: Gomes, Alberto e Trigueiros, António Miguel (1992), Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos, 1385-1580. Lisboa.