Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, nasceu em Viseu a 31 de Outubro de 1391 e faleceu em Tomar a 10 de Setembro de 1438, vitimado pela peste bubónica que grassava no país. Por vontade do seu pai, ficou desde 1412 associado ao governo do reino, sendo um dos impulsionadores e responsáveis pelo plano expansionista português em Marrocos, iniciado com D. João I e continuando contra a vontade dos representantes do povo e da maioria da alta nobreza. O desastre da expedição a Tânger, em 1437, custaria a vida ao irmão do rei, D. Fernando, que ficou refém em Marrocos até Ceuta ser devolvida, o que não sucedeu.

D. Duarte recebeu uma educação esmerada, revelando-se como escritor de rara originalidade para a sua época e senhor de uma preciosa biblioteca,sendo por tudo isso conhecido pelo cognome de «O Eloquente». A este príncipe devemos a encomenda em 1419, da Crónica Geral de Portugal ao seu escrivão e guarda-mor do Tombo, Fernão Lopes (1380?-1460), cuja obra perdurou como o maior monumento literário português e europeu do século XV.

No seu curto reinado de cinco anos e além da malograda expedição militar a Tânger, salientam-se a publicação em 1343 da Lei Mental, que instituiu os princípios fundamentais da inalienabilidade dos bens da coroa, doravante indivisíveis e só transmissíveis por via legítima ao filho varão primogénito, com exclusão das filhas; a queda de um dos grandes mitos que impediam as navegações além das Canárias, com a passagem do Cabo Bojador por Gil Eanes, também em 1434; e a reforma do sistema monetário em 1435-36, com a criação do real branco como nova unidade de conta.

D. Duarte casou a 22 de Setembro de 1428 com D. Leonor (?-1455), filha de Fernando I de Aragão e teve como filhos legítimos D. Afonso, futuro rei de Portugal; D. Fernando (1433-1470), duque de Viseu e pai do futuro rei D. Manuel I; D. Leonor (1434-1476), primeira imperatriz da Alemanha e do Sacro Império Romano, pelo seu casamento com o imperador Frederico III (1451), mãe do grande imperador Maximiliano I(1459-1519) e avó do imperador Carlos V (1500-1558); D. Catarina 81436-1463); e D. Joana (1439-1475), rainha de Castela por casamento com Henrique IV.

Assim apresentamos os principais trajos usados em Portugal no início da dinastia de Avis:

Lendas D. Duarte

Nessa época era usado pelos Jovens Cortesãos, os trajos identificados na gravura pelos nr´s 1, 2 e 3, os Cronistas vestiam como figura nr. 4, os Mercadores como nas figuras 5 e 8, já os Jovens burgueses vestiam como figura nr. 6 e 7, os Nobres como figura nr. 9, e os soldados com as armaduras como figura nr. 10.

 

Em: Gomes, Alberto e Trigueiros, António Miguel (1992), Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos, 1385-1580. Lisboa.