O conjunto arquitectónico do Bom Jesus do Monte, ex-libris da cidade de Braga, é, talvez, o mais majestoso, o mais poético e o mais monumental sacro-monte construído na Europa.
Arte e natureza aliam-se para fazer deste local um dos mais aprazíveis do país, onde se reúnem todas as componentes da via-crucis, fazendo desta estância um centro irradiador de fé e uma apetecida zona de repouso.
Hoje em dia o Bom Jesus do Monte mantém essa dualidade de espaço sagrado e de repouso. Mas não pode ser esquecido que é também um espaço monumental por excelência.
Perde-se no espaço dos séculos o momento em que o Homem construiu na montanha do Bom Jesus, situada na área da freguesia de Tenões, uma capela. Em 1373  já existia uma ermida dedicada à Santa Cruz.
Em 1430, o Arcebispo Dom Fernando da Guerra, anexou várias igrejas da região a Tenões, e como tal passou esta freguesia a ser um apetecido benefício eclesiástico, pois além dos benefícios das igrejas anexadas, tinha ainda o rendimento da Ermida de Santa Cruz.

Dom João da Guarda, vigário de Tenões, diz Alberto Feio, mandou erguer, em 1522, um templo condigno, verdadeira igreja, em cantaria lavrada ao gosto da época, um gótico peninsular, como o provam alguns restos guardados no museu e o fragmento duma porta dessa primitiva igreja que há poucos anos estava no jardim da Casa do Passadiço.
Correndo o ano de 1629, numa visita de alguns bracarenses ao local, nasceu o pensamento da fundação de uma confraria, com o encargo de reacender a devoção quase extinta.

Em 1720, Dom Rodrigo de Moura Telles «o restaurador do Bom Jesus», vendo o estado lamentável a que tinha chegado o templo devido ao quase abandono com a administração do Deão Francisco Pereira da Silva, nomeia-se Juiz da Confraria e inicia um processo de reabilitação total da estância: constrói um novo santuário; delineou os escadórios iniciando-os pelo pórtico; as Capelas da Via-Sacra; os Escadórios dos Cinco Sentidos.

Dom Gaspar de Bragança, em 1773, a pedido da Mesa do Bom Jesus, pediu a sua protecção, para junto do Papa Clemente XIV, conseguir fossem concedidas graças espirituais, com que a igreja costuma beneficiar os romeiros que visitavam os lugares que a piedade cristã tinham consagrado. A intervenção de Dom Gaspar foi tão bem aceite na Cúria Romana, que no mesmo ano, o Papa expedia três Breves, concedendo aos peregrinos e romeiros do Bom Jesus um Jubileu, com graças e privilégios.
D. Gaspar de Bragança, depois de uma análise ao estado da igreja de Dom Rodrigo de Moura Teles, ordenou a demolição do templo em ruína e se escolhesse outro local, por perto e se construísse um novo templo de cujo projecto seria aberto um concurso. A Confraria, em acórdão de 22 de Junho e 1 de Julho de 1780, dá o consentimento à nova construção. Optou-se pelo projecto de Carlos Amarante, e, em 1 de Junho de 1784, foi lançada à terra e benzida a primeira pedra da nova construção, pelo Provisor do Arcebispado, Dr. Paulo de Barros Pereira.

Para finalizar esta síntese histórica queremos destacar os deram a sua contribuição para que, hoje em dia, o Santuário do Bom Jesus seja uma das maiores atracções religiosas e turísticas da norte de Portugal, bem como a indicação de alguns motivos de interesse aos que visitam esta estência pela primeira vez: o Pórtico do século XVIII; as catorze capelas, Última Ceia, Horto ou Agonia, Prisão ou da Traição, Trevas, Açoites ou Flagelação, Coroação de Espinhos, Ecce Homo ou Pretório de Pilatos, Subida ao Calvário, Cireneu, Crucificação, Madalena, Negação de Cristo por S. Pedro, Elevação da Cruz, Descendimento da Cruz; o Escadório dos Cinco Sentidos; o Escadório das Virtudes; o Terreiro de Moisés onde pontifica uma cascata com a figura do Pelicano; a Estátua do Longuinhos; o Funicular do século XIX; O Terreiro dos Evangelistas; as fontes; a imaginária; A Mata e o Parque; as grutas.

 

Em: “Estância do Bom Jesus”