COMO CAMÕES APRESENTA

THÉTYS A EL-REI D. SEBASTIÃO

NA DEDICATÓRIA DE “OS LUSÍADAS”

Camões profetizou a El-Rei D. Sebastião

Que Thétys o “desejava para genro”

Pois para ele a Titânide já tinha aparelhado

como dote “todo o cerúleo senhorio”

- TODO o Senhorio do CÉU –

  

E o Destino, (o Fado como Camões diria)

Encarregou-se, de fazer cumprir tal PROFECIA

Luiz Vaz de Camões, nascido e criado como português em pleno século XVI, e como poeta épico e genial que foi, não podia ter deixado de – DEDICAR- o seu poema máximo – “Os Lusíadas” a outrem que não ao seu REI.

E o Rei de Portugal na era de Camões, e após a morte de D. João III, era El-Rei D. Sebastião.

Foi a El-Rei D. Sebastião que Camões “Dedicou” o seu poema épico – “Os Lusíadas”.

 

 “Mas, enquanto este tempo passa lento
De regerdes os povos, que o desejam,
Dai vós favor ao novo atrevimento,
 Pera que estes meus versos vossos sejam”.
Canto I – Est. 18

 

E

“E, enquanto eu estes canto, e a vós não posso,
Sublime Rei, que não me atrevo a tanto,
Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
Dareis matéria a nunca ouvido canto”.
Canto I – Est. 15

 

É claro que Camões, que viveu “em corpo” e “em alma” e em profundidade, toda a “saga da expansão marítima, e terrestre do reino Português” que por Terra e por Mar tinha como um dos seus objectivos máximos e cruciais, fazer diminuir, e até se possível fazer esgotar o comércio mundial dos árabes, dos mouros, a fim de os enfraquecer, não só na fazenda, como no espírito, e assim debilitados, poderem melhor ser derrotados, não só nas “rotas” como no domínio das Santas Terras de Jerusalém.

Não podia deixar – de na própria “Dedicatória” do poema – de chamar a atenção de D. Sebastião, para o perigo que os Mouros representam para o Mundo.

Mas ao mesmo tempo, o êxito da viagem de Vasco da Gama, e da soberania portuguesa por terras longínquas anteriormente denominadas pelos “da maometana fé-fiéis” estava já bem firme.

 

E assim, logo na Est. 16 do Canto I (e no meio da dedicatória do poema) Camões adverte a D. Sebastião:

“Em vós os olhos tem o Mouro frio,
Em quem vê seu exício afigurado;
Só com vos ver, o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;”

 

Camões, incita pois D. Sebastião, a continuar a campanha militar contra os Mouros, o que em termos bélicos, e face ao êxito dos portugueses em África e na Ásia, se poderia dizer que tal incitamento se enquadrava plenamente na “exploração do êxito”.

Logo de seguida, e na mesma estrofe, e dentro do mesmo espírito de incentivo a D. Sebastião, Camões, mestre na arte de utilizar a mitologia greco-latina, e o significado e simbolismo ôntico, que o nome dos deuses encerram, diz a El-Rei D. Sebastião:

 

“Thétys todo o cerúleo senhorio
 Tem pera vós por dote aparelhado,
 Que, afeiçoada ao gesto belo e tenro,
 Deseja de comprar-vos pera genro”.

 

Anote-se que Camões, ao incentivar El-Rei D. Sebastião a dominar o poderio maumetano (pois os gentios bárbaros já mostravam o pescoço inclinado ao jugo), diz-lhe que ele iria ter como prémio, o ser

 

“Senhor de todo o Céu”.

 

Na verdade, quem é Thétys?

 

Thétys é uma das Titânides mais famosas.

“A linda esposa de Neptuno, de Celo e Vesta filha”.
(Canto VI – Est. 21).

 

Ela além de ser pois filha do Céu e da Terra (de URANUS e de GAIA) é a grande esposa de OCEANUS (do MAR).

THÉTYS, além de ser muita Formosa e Bela, ela é a personificação da Sabedoria, pois ela conhece os mistérios do Céu por parte do Pai (Celo), e conhece os mistérios da Terra por parte da Mãe (Vesta), e conhece os mistérios também das águas quer dos Mares, quer dos Rios, por parte do marido (Neptuno).

É claro que Thétys, como esposa fidelíssima, não podia casar com o Rei de Portugal.

Mas podia perfeitamente dar uma das suas filhas em casamento a El-Rei D. Sebastião e assim, torna-lo “genro” dela.

Aliás, não teria dificuldade alguma em dar uma das suas filhas como esposa ao Rei, pois ela tivera de seu augusto marido, nada mais nada menos do que três mil Filhas, e três mil Filhos. Ela gerara todas as Oceânides, e os rios e as ninfas aquáticas.

E ela, Thétys, estava pois disposta – segundo o confessa Camões – a “aparelhar como DOTE”, ao seu genro D. Sebastião, “todo o cerúleo senhorio”.

 

Isto é:

Thétys, completamente “afeiçoada ao gosto belo e tenro” desejava “comprar para genro” a D. Sebastião, e dava-lhe já como dote – todo o “senhorio celeste”.

 

Entendemos pois, que Camões, delicada e gentilmente quis – pelo menos – dizer TRÊS COISAS a D. Sebastião, na Dedicatória que a ele fez em “Os Lusíadas”.

 

Primeiro -  Dedicar-lhe o poema.

SegundoChamar-lhe a atenção para que ele devia casar-se. (Pois até Thétys estava disposta a “comprá-lo para genro”). Na verdade não haveria na época, nenhum português que não tivesse tido medo da falta de descendência real, e a prova disso é que ele próprio D. Sebastião – tinha sido e era O DESEJADO.

E até o povo tinha receio que algo de idêntico se repetisse, e era necessário pois o Rei ter descendência, a qual passaria a ser não só desejada, como desejadíssima.

TerceiroDeveria D. Sebastião dominar o Gentio Mouro e pôr-lhe ao pescoço o respectivo jugo, pois se tal conseguisse, Thétys lhe entregaria “Todo o Senhorio Celestial”.

 

“Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
Dareis matéria a nunca ouvido canto.
Comecem a sentir o peso grosso
(Que polo mundo todo faça espanto)
De exércitos e feitos singulares,
De África as terras e do Oriente os Mares”.
(Canto I – Est. 15).

Outra interpretação possível, e própria da genialidade de Camões, é o poeta através dos versos citados, ter feito uma séria, e real advertência, ao seu próprio Rei – D. Sebastião, que ele aliás tanto estima, honra e a quem é totalmente leal.

 

“Pera servir-vos, braço às armas feito,
Pera cantar-vos, mente às Musas dada;”
(Canto X – Est. 155).

 

E a advertência terá sido esta:

Camões, como nenhum outro erudito português na época, e com pleno conhecimento e com experiência da vida real, e esta totalmente sofrida:

 

“Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente”.
(Canto X – Est. 154).

 

Possuía pois, pleno conhecimento da vida pública nacional, e tinha força moral para o dizer até ao próprio Rei, que “algo” estava mal no Reino português pois:

“A disciplina militar prestante
Não se aprende, Senhor, na fantasia,
Sonhando, imaginando ou estudando,
Senão vendo, tratando e pelejando”.
(Canto X – Est. 153).

 

E o saber de Camões, a sua experiência, davam-lhe a plena consciência de como Portugal e os valores Pátrios, estavam sendo minados, conspurcados, adulterados, e traídos, o que para ele Camões o colocou no maior “desencanto”, absolutamente contrário a tudo aquilo que o tinha levado a escrever o seu CANTO.

“E vê do mundo todo os principais,
Que nenhum no bem púbrico imagina;
Vê neles que não têm amor a mais
Que a si somente, e a quem Filáucia ensina;
Vê que esses que frequentam os reais
Paços, por verdadeira e sã doutrina
Vendem adulação, que mal consente
Mondar-se o novo trigo florecente”.
(Canto IX – Est. 27)
Vê que aqueles que devem à pobreza
Amor divino, e ao povo caridade,
Amam somente mandos e riqueza,
Simulando justiça e integridade;
Da feia tirania e de aspereza
Fazem direito e vã severidade;
Leis em favor do Rei se estabelecem,
As em favor do povo só perecem”.
(Canto IX – Est. 28)
Vê, enfim, que ninguém ama o que deve,
Senão o que somente mal deseja;
Não quer que tanto tempo se releve
O castigo que duro e justo seja.
Seus ministros ajunta, porque leve
Exércitos conformes à peleja
Que espera ter coa mal regida gente
Que lhe não for agora obediente”.
(Canto IX – Est. 29)
“Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza”.
(Canto X – Est. 145).

A somar a esse “desencanto” Camões sabia que os seus compatriotas, não eram pois só homens de virtudes e de honra. Não. Camões sabia, que em toda a Europa, difícil seria encontrar povo algum, que como o povo luso fosse tão “refractário a ser governado” como o é o português,

 

O luso pois, não se deixa “ser mandado”, “nem sequer governado” por ele próprio.

Mesmo o luso que quer exercer o governo, acaba por ser o desgoverno de todos os outros lusos.

Quer na época de quinhentos, quer na actual época do início do III Milénio, o “povo português normalmente é ingovernável”. E assim continuará a ser.

Só com ”saber divino”, e “assistência divina” (divina providência) é que o povo luso se consegue governar e cosmicamente realizar.

Por isso, Camões sugere, que o Rei, tenha como sogra uma Thétys.

Isto é: que o Rei case com uma Rainha sábia. E filha de sábia é sábia.

 

Se o Rei casar com uma “deusa-sábia”, o Povo luso, descendente dos Lusitanos–Atlantes saberá que ele está a ser “bem governado”, e então obedece, pois ele cromossaticamente aceita, acredita e até venera a Sabedoria – a Mátria – o Sol – a Lua e o seu luar – pois ele é,

 

CELTA-ATLANTE

 

Foi o que sucedeu com:

- D. Afonso Henriques e com sua excelsa esposa D. Mafalda, e com

- D. Dinis e a sua Santa Isabel, e com

- D. João I e a sua sábia Filipa, que igualmente como Thétys, dela fez brotar uma Ínclita Geração.

 

Luiz de Camões sabia que o Rei – naquela altura – D. Sebastião, deveria casar-se, e com uma rainha SÁBIA.

Deveria casar-se com donzela que conhecesse e bem, os mistérios do Céu, da Terra e do Mar.

Alguém que se parecesse geneticamente como uma das filhas da sábia Titânide Thétys.

 

E… Camões, disso avisou D. Sebastião.

 

Quiseram porém os FADOS, que D. Sebastião desaparecesse do seu Reino, solteiro, e possivelmente virgem e sem descendência.

Mas a profecia de Camões, através da vontade e do desejo, que ele expressou como sendo da Titânide Thétys cumpriu-se

E…

 TODO O SENHORIO DO CÉU
 Foi dado a El-Rei D. Sebastião
 
Não por ter subjugado os mouros,
Não como dote esponsal,
Mas por ter morrido por Portugal.

 

Está feito.

 

Lisboa, 12 de Março de 2014.

-  Dia de São Inocêncio.

- E no dia em que em 1537 Fernão Mendes Pinto saiu do Tejo, iniciando as fantásticas “Peregrinações”.

- Morte do Cardeal Patriarca Emérito – D. José da Cruz Policarpo – XVI Cardeal de Portugugal.

 

 

Comunicação apresentada  à Secção Luís de Camões Da Sociedade de Geografia de Lisboa

21 de Março de  2014  pelo sócio

ABEL DE LACERDA BOTELHO