Sete espetáculos compõem a 1.ª edição do Festival Vozes e Gestos da Terra Chã, dedicado ao cante alentejano e cruzando-o com criações contemporâneas, que decorre, a partir desta sexta-feira, em Évora, Estremoz e Serpa.

Organizado pela Companhia de Dança Contemporânea de Évora (CDCE), com o apoio de outras entidades, o certame prolonga-se até ao dia 18 deste mês e inclui sete espetáculos, que dão a conhecer cinco criações artísticas concebidas, de propósito, para a programação do festival.

Segundo a CDCE, o festival está “centrado na difusão e promoção do património artístico do cante alentejano”, que está classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O evento, acrescentou a organização, fomenta “o cruzamento da linguagem do cante com outras artes e patrimónios do Alentejo”.

“Entre Cante e Piano – Uma música do Alentejo” é o espetáculo que inaugura o festival, às 22:00 desta sexta-feira, no Largo da Sé, em Évora. A atuação combina as vozes de Joaquim Soares e Pedro Calado, cantadores do Grupo Cantares de Évora, com o som do piano do músico e compositor Amílcar Vasques-Dias e a dança dos bailarinos Fábio Blanco, Gonçalo Andrade e Nélia Pinheiro.

No sábado, oito grupos corais alentejanos, dos distritos de Évora e Beja, protagonizam os “Cantares pela Rua Fora”. As ruas de Serpa acolhem, primeiro, a iniciativa, durante a manhã, seguindo-se, ao final da tarde, as ruas e praças do centro histórico de Évora. Ainda no sábado, mas à noite, a Praça do Sertório é “palco” de outra proposta, intitulada “Cantar de Roda”, em que “o cante, as vozes e os instrumentos da terra alentejana fazem uma roda e convidam a uma viagem de circum-navegação à volta da tradição, da experimentação e da reinvenção do cante alentejano”.

O Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, acolhe o festival no domingo, com o espetáculo “Há Lobos sem Ser na Serra — Cantares do Sul e da Utopia”, que junta “três músicos alentejanos (David Pereira, Bernardo Espinho e António Bexiga) e uma artista visual (Cristina Viana)”. Este “espetáculo intimista, à volta das modas e canções que celebram a utopia e cantam este imenso território poético ao sul do Tejo”, como é designado pela organização, vai ainda ser apresentado em Évora, no dia 15, no Convento dos Remédios.

“Terra Chã”, a nova criação e coreografia de Nélia Pinheiro, da Companhia de Dança Contemporânea de Évora, encerra o certame, no dia 18, no Largo da Sé, colocando em cena grupos corais numa relação direta com o movimento dos bailarinos.

Em: Observador |Por: NUNO VEIGA