É um dos ícones do Rio de Janeiro, presença constante nos postais turísticos da cidade e oi classificada como património artístico pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A calçada portuguesa, que embeleza 1,2 milhões de metros quadrados espalhados por ruas de Copacabana ao centro da cidade, é tema de uma exposição que conta a sua história desde Portugal até os dias de hoje, e a sua influência no Rio de Janeiro.

A calçada de pedra portuguesa que embeleza várias ruas do Rio de Janeiro é tema de uma exposição que reúne obras de acervo de instituições de Lisboa e do Brasil. Patente até ao dia 1 de Agosto, no Museu Histórico Nacional, «Tatuagens urbanas e o imaginário carioca» reúne objectos de acervo, filmes e fotografias sobre um estilo único de pavimentação de calçadas. Integra o programa de comemorações dos 450 anos do Rio de Janeiro, sendo coordenada pela pesquisadora e produtora cultural Renata Lima, editora do livro ‘Tapetes de Pedra’ (2010), que deu origem ao conceito da exposição. 

Imagens, filmes e objetos
Com mais de 80 fotos, vídeos, documentos, objetos e mapas, a exposição conta a história dos primeiros calçamentos até a chegada das pedras portuguesas ao Brasil. 
O acervo da mostra está dividido em três módulos – Histórico, Calceteiro e Imaginário Carioca. Com curadoria de Solange Godoy, o  primeiro reúne objetos e documentos dos acervos de diversas instituições, como o Museu da Cidade de Lisboa, o  Museu da Cidade e o Museu Castro Maya. Já os trabalhos que compõem o módulo ‘Calceteiro’ fazem parte do acervo do Museu dos Moldes de Lisboa, e incluem também fotografias e filmes de várias épocas. Por último, o módulo ‘Imaginário Carioca’ apresenta uma coleção de objetos, como joias e mobílias, inspirados nas calçadas do Rio de Janeiro. Em paralelo à exposição, o projeto promoveu no dia 23 de junho, no auditório do museu, uma discussão sobre a importância da conservação e adaptação das calçadas aos novos padrões de mobilidade e acessibilidade urbanas. 

1,2 milhões de metros quadrados
A primeira calçada portuguesa criada no Brasil, foi construída em Manaus em frente ao Teatro Amazonas, mas disseminou-se principalmente no Rio de Janeiro, onde embeleza 1,2 milhões de metros quadrados espalhados por ruas de Copacabana até ao centro da cidade. 
As calçadas portuguesas “ocupam parte importante da cidade e a implantação das mesmas ao longo dos anos”, sendo testemunhas fundamentais “do crescimento e da história da cidade”, refere a coordenadora da exposição no texto de apresentação do projeto. 
Renata Lima explica que os desenhos que as compõem, desde a primeira calçada da Avenida Rio Branco (centro) ao calçadão da Avenida Atlântica (zona sul), apresentam estilos artísticos específicos de cada época.
“O calçadão de Copacabana, arte aplicada em maior espaço urbano que se conhece e criada pelo arquiteto paisagista Burle Marx, se transformou em uma das imagens mais internacionalizadas do nosso país. Também Vila Isabel (zona norte), com suas calçadas em notas musicais remetem a Noel Rosa e à cidade berço do samba. De tal forma as calçadas estão no imaginário do nosso povo que seus desenhos foram apropriados pelo design, pela arquitetura, por artistas e criadores de moda, pela gastronomia entre outros segmentos”, destaca a coordenadora geral do projeto. Realizada pela Prefeitura (Câmara) do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, a exposição «Tatuagens urbanas e o imaginário carioca» tem o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, e o apoio cultural da TAP, do Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro e da Yaguara.

«Tatuagens urbanas e o imaginário carioca»
Museu Histórico Nacional
Praça Marechal Ancora
Centro – Rio de Janeiro
Até 1 de Agosto
De terça a sexta-feira, das 10h às 17h30 e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h 
Preço: 8 reais. Aos domingos a entrada é gratuita

Ana Grácio Pinto

Em: Mundo Português