A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) em parceria com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a Comissão Nacional da UNESCO/Ministério dos Negócios Estrangeiros, anunciou recentemente que o azulejo português vai ser candidato a Património da Humanidade da UNESCO.

Mas não é só isso: após anos em que alguns elementos ligados à arquitetura e às artes apontaram para um certo menosprezar deste objeto simbólico da cultura portuguesa, o azulejo parece mesmo voltar a viver um período de ressurgimento.

Prova disso são algumas iniciativas que têm tido lugar em algumas cidades portuguesas.No final de junho foi apresentada a fachada de um edifício, no Porto, com cerca de 3 000 azulejos, cuja disposição questiona: “Quem és tu, Porto?”.

Foi apresentado como “o maior painel comunitário em azulejos” da cidade, uma vez que as peças foram pintadas por voluntários que quiseram deixar uma resposta à pergunta-título.

Este edifício fica situado na Rua da Madeira, bem junto à Estação de São Bento, considerada por publicações internacionais como uma das mais belas do mundo. Este reconhecimento deve-se sobretudo ao cerca de 20 000 azulejos que formam diversos painéis ilustrativos da evolução dos transportes e de momentos da história de Portugal e do Porto. Um dos painéis retrata a conquista de Ceuta por parte do Infante D. Henrique, iniciativa que partiu da cidade Invicta há precisamente 600 anos.

Milhares de azulejos restaurados em Viana do Castelo

Mais a norte foi premiado, este ano, outro exemplo que comprova a atenção que os portugueses estão a dedicar ao azulejo. A Igreja da Misericórdia, em Viana do Castelo, recebeu o prémio de conservação e restauro na cerimónia anual organizada pela SOS Azulejo, um projeto que visa a proteção e valorização deste objeto.

A igreja localizada em pleno centro histórico da cidade vianense, na Praça da República, não tem um milímetro de parede sem azulejo azul e branco. No total, são cerca de 16 mil peças, todas elas recuperadas entre 2012 e 2013.

Para além da recuperação promovida por diversas entidades nacionais, a diminuição dos crimes contra o azulejo também colabora neste ressurgimento. De 2006 a 2014 as queixas na polícia por crimes contra o património azulejar passaram de 31 para 10, uma redução de aproximadamente 70%.

A inspiração para a utilização de azulejos em Portugal foi importada de Sevilha pelo rei D. Manuel I, no século XVI, mas cerca de cinco séculos depois, não há país que se distinga tanto na arte azulejar como Portugal. A candidatura a Património da Humanidade afigura-se como mais uma iniciativa com vista ao reconhecimento internacional de um elemento intrínseco à cultura do nosso país.

Em: RevistaPort
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