Uma dezena de artistas portugueses participam este fim-de-semana na feira de artes plásticas “Art Shopping”, no Carroussel do Louvre, em Paris, um evento que é descrito como “um sonho” para alguns.

É o caso de Tiago Azevedo, de 30 anos, que expõe uma tela intitulada “A princesa e o sapo”, inspirada nos contos dos Irmãos Grimm, na qual cruza o estilo do retrato barroco com a ilustração contemporânea.

“É o sonho de qualquer artista ter uma obra nesta cidade e no Louvre que é onde estão as grandes obras e nós conseguimos sentir toda essa energia que vem aqui de perto”, declarou à Lusa o artista natural da Ilha Terceira, nos Açores, que vive em Munique, na Alemanha.

O salão está, de facto, ao lado do Museu do Louvre, nas galerias que se encontram junto da famosa pirâmide invertida, mas a 17.ª edição do Art Shopping, com mais de 450 artistas representados, não tem o carimbo daquele que é um dos museus mais visitados do mundo.

Ainda assim, o escultor Pedro Marques, de Palmela, sublinhou o prestígio do local da exposição, onde apresenta um busto de mulher em ferro, “com tratamento a níquel e um apontamento em cerâmica”, exposto pela galeria italiana Queen Art Studio Padova.

“Para mim é uma honra e um prazer poder estar a representar Portugal aqui no Louvre – Carroussel do Louvre”, disse o artista de 51 anos que é escultor “a 60,70 por cento porque Portugal não é um país de artes e apoios em Portugal não há nada”, acrescentando que de 4 a 8 de novembro vai estar no salão de arte contemporânea de Montreux, na Suíça.

Também para Leonor Sousa, de 54 anos e a viver em Santa Maria da Feira, estar no salão Art Shopping “é um sonho tornado realidade” já que apenas começou a pintar “a sério” há quatro anos, depois de 40 anos a exercer a profissão de cabeleireira.

“Conseguir trazer além-fronteiras a minha obra é realmente um sonho. O meu principal objetivo é divulgar o meu nome e divulgar ao mundo a minha arte”, afirmou a artista que expõe a pintura “Fado” e que vai levar, em breve, as suas telas ao Brasil, São Tomé e Príncipe, Noruega, Dubai e Canadá.

Carlos Antunes, de 65 anos, também se mostrou muito contente por participar na feira de arte em Paris, sublinhando que é uma cidade onde há muito desejava expor, tendo escolhido uma obra relacionada com “os mistérios de Natal” e sublinhando que no próximo ano vai celebrar os 35 anos de carreira com duas exposições no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga.

Maria Antónia Jardim – que assina os quadros com o nome A. Sinai – expõe a tela intitulada “Fernando Pessoa – o Mago”, uma pintura que integra o livro apresentado esta semana em Paris “Sir Fernando Pessoa – Relógio de Bolso que Esconde uma História”.

“Este quadro tem a particularidade de estar inserido num livro meu cuja segunda edição esgotou no Consulado-Geral de Portugal em Paris. Este quadro é interessante porque representa o poema da ‘Manucure’ do Mário de Sá-Carneiro, representa os cem anos do Orpheu, representa o preto e branco associado ao Fernando Pessoa, a criatividade nas asas, o infinito que ele é na multiplicação dos eus”, descreveu a também investigadora universitária do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Nove dos artistas portugueses que participam no Art Shopping foram convidados pela Associação Cultural Atlas Violeta, sediada no Porto, que marca presença no evento pelo segundo ano consecutivo, e que representa, ao todo, 18 artistas lusófonos.

“Nós tentamos olhar para uma parte que ninguém olha que é a arte, principalmente em Portugal que é um país culturalmente riquíssimo – embora não tenhamos um ministério da Cultura – mas temos de manter as artes e os nossos artistas vivos”, explicou António Bernardini, um dos fundadores da associação que nasceu há dois anos com o intuito de divulgar a arte portuguesa no mundo graças a parcerias com os países da lusofonia.

António Bernardini acrescentou que o escultor português Jorge Braga, do Porto, conseguiu arrecadar a medalha de bronze do salão com uma obra em bronze intitulada “Vida” e que alguns dos artistas que representa já tiveram convites para expor em galerias de Paris, sublinhando que além de pintura e escultura também há objectos curiosos como “bisnagas de mel”, ou seja, mel do Alentejo dentro de tubos de tinta da autoria de Maria Rodrigues.

Em: JN