Ensaio apresentado na Secção de Camões
Sociedade de Geografia de Lisboa
 Novembro 2014
 
          Por        
 ABEL DE LACERDA BOTELHO

A LÍNGUA PORTUGUESA E CAMÕES

I PARTE

A LETRA  e o seu SOM – A PALAVRA – A LINGUAGEM

Os Titãs da Proto-Mitologia-Grega tentaram sobrepor montes sobre montes na tentativa de assim chegarem aos céus e conquistarem o poder dos Deuses.

Igual tentativa fizeram os Humanos-terráqueos milénios mais tarde, ao pretenderem construir a altíssima Torre de Babel, que lhes proporcionasse também atingirem e conquistarem o Trono dos Deuses.

Os Deuses porém, deitaram por terra as veleidades dos humanos, conforme milénios atrás desfizeram os desejos dos gigantes Titãs.

E os Deuses destruíram para sempre tal sonho dos humanos, utilizando um método simples mas totalmente eficaz:

Destruíram-lhe a linguagem, e a comunicação geral dos Homens que era Una e Homogénea, tornando-a díspar e diversa, e confundindo-lhes as mentes – puseram-nos a falar em línguas diversas, e assim, os Humanos, até à eternidade, jamais se entenderão entre eles, e jamais obterão pois, alguma vez que seja, um único objectivo comum entre eles.

Assim reza a Lenda Humana!

E a discórdia humana e contínua – o confirma.

Então o Homem, para se “reestruturar” a si mesmo, e para dar coesão ao clã em que passou isoladamente a viver – teve de reinventar o som da letra, e de com elas “Letras e seus sons” teve de construir a Palavra, que lhe veio permitir em primeiro lugar – “Dar o nome às coisas” – “baptizando os seres viventes e a natureza que o rodeava”, enfim, lhe permitisse ”pôr o nome aos bois” e depois conseguir “comunicar” tal palavra (que é só SOM e IMAGEM) a todos os outros humanos que com ele conviviam.

Para que a “Linguagem” renascesse, foi preciso pois que fundamentalmente duas coisas sucedessem e simultaneamente.

 

Primeira: O Homem ao criar a Palavra, e ao baptizar os “seres” e as “coisas” com a Palavra, teve de ser sábio, honesto e sagaz e assim encontrar a verdade de cada

Imagem e Som, e baptizar  as “coisas” e os “seres” com o nome correcto, com o seu nome próprio e verdadeiro. Pois se tivesse chamado cadeira à mesa, ou dado o nome de António à Maria, teria dado como consequência que a Maria se assentasse na mesa e a desgraçada da cadeira acabasse só para servir para partir a cabeça do António.

Segunda: Não foi só preciso que o homem descobrisse a verdade de cada imagem e seu som – acertando pois com a “Palavra” certa, como foi necessário sobretudo que o “estrato social humano” constituído pelo clã, viesse a “comungar”, a “aceitar” e a “praticar” a “ideia de produzir tal palavra, dando sempre o mesmo SOM a essa Imagem.

Mas a “linguagem” e o aparecimento de uma “língua” não nasce só pelo aparecimento isolado, e desconjuntado de palavras soltas, de sons e imagens casuais.

Uma verdadeira “língua” só nasce, quando no meio, no centro, no viver comunitário e quotidiano de um clã ou de um Povo, e povo isolado dos outros, surge uma Ideia Nova, uma Mensagem nova, uma maneira de Ser e de identificar esse Povo, fazendo essa língua expressar e expandir toda uma maneira de Ser e de Estar na vida, que o autonomiza e torna diferente e o independentiza de todos os outros povos vizinhos, que o cercam.

Miguel é Miguel e por isso ele nem é o Michel, ou Michael, como os que existem parecidos com ele, mas vivendo nos povos vizinhos.

Um touro é um touro ou toiro, mas há uns que os pegam de frente, ou enfrentam abraçando-lhe e cercando-lhe os cornos, e só isso; ou há aqueles homens que só enfrentam esses touros com instrumentos cortantes, pois não os querem vencer, mas sim e só lhes pretendem verter o sangue, e os matarem, pelo simples prazer de… matar e de ver verter o sangue.

Há povos pois cuja ideia – mensagem e modo de ser e de estar na vida é de vencerem procurando fama e glória; e há outros povos que muitas vezes vivendo até vizinhos daqueles, a sua ideia-mensagem, e modo de Ser e de Estar na vida, é só de fazerem sangue pelo sangue, de matar só pelo matar.

Mesmo teologicamente pensando a linguagem, esta é diferente nos povos que se julgam eleitos ou escolhidos por Deuses e tem pois uma ”palavra”, “língua própria”, e a dos outros que embora se reconhecendo pecadores e humildes, foram porém “Adquiridos por Deus” e daí que a sua Palavra e a sua Língua sejam pois diferentes das dos anteriores, mesmo que vizinhos sejam entre eles.

II

COMO NASCEU A LÍNGUA PORTUGUESA

A Língua Portuguesa, não é melhor nem pior do que qualquer outra língua praticada no Globo.

Ela é porém diferente de todas as outras.

E é nessa diferença que está a sua excelsitude!

Antes de Fernando Pessoa, já Eça de Queiroz disse da língua Portuguesa:

“Um homem só deve falar, com impecável segurança, e pureza, a língua da sua terra. Todos as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro”.

Pois:

“Na Língua é que reside verdadeiramente a Nacionalidade”.

 

“E quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização… por isso, o poliglota nunca é patriota”.
(Eça de Queiroz em Correspondência de Fradique Mendes).

E Fernando Pessoa mais tarde esclareceu:

“A base da Pátria é o idioma”.

Os que falam a língua portuguesa, mostram que têm uma alma diferente.

A Portuguesa, é a língua da fraternidade universal.

Não admira pois que em pleno III Milénio André Sophia afirme:

“A língua Portuguesa

É puro sangue lusitano,

Que alimenta e resplandece

O corpo cultural

De um Povo Uno e tropical”

Mas então, como “apareceu”? como “nasceu” a língua portuguesa?

Em pleno ano de 2014 estão-se comemorando os 8 séculos da língua portuguesa escrita, pois o testamento d’el Rei D. Sancho I de 1214 está plenamente escrito já em língua portuguesa.

Tal efeméride, porém, entendemos que é meramente relativa pois, se por um lado, já muito antes dessa data, em plena batalha de S. Mamede (1128) já se respondia e proclamava em boa língua portuguesa, “o que os galegos nem queriam ouvir”, é também natural que antes de 1214 já outros escritos e documentos oficiais estivessem plenamente escritos em português, e que infelizmente, tais originais não tenham chegado até nós.

Mas, aceitamos o que a “nova cultura politicamente correcta” nos quer impingir agora, declarando o ano de 2014 como o comemorativo de 8 séculos da língua escrita portuguesa.

Em 2008, no Intróito ao Livro de Mário Simões Dias, intitulado “Portugal Pátria da Portugalidade” já escrevemos sobre este tema dizendo então:

Uma “Palavra Nova”, ou uma “linguagem nova” só aparece num estrato social humano, localizado num Espaço (geográfico certo), e num Tempo (histórico) determinado, quando esse aglomerado social humano (ou alguém individual que faz parte desse agregado humano) tem uma Ideia Nova, ou uma Ideia diferente, daquela que já existe, e é praticada pelos povos seus vizinhos ou confinantes.

E se essa Ideia-nova, através de Som-novo, faz surgir uma Palavra-nova, assistimos então ao início, e ao alvorecer de um linguagem, ou de uma nova língua.

Faz-se Luz no Espírito, e a palavra nova – nasce.

E esta “nova língua” ou “nova linguagem” estrutura-se, fortifica-se e desenvolve-se, na proporção geométrica, do grau de comunhão que todo um agregado social-humano, fizer de tal ideia nova.

E assim, um Povo começa a comunicar-se entre si, e entre si e os outros, através de uma “nova língua”, de uma “nova linguagem”.

Sim, se na verdade, e num Espaço (geográfico e bem delimitado – em Terras de entre Douro e Minho) e num TEMPO (bem definido – entre séc. X e XI) não tivesse “aparecido”, “assumido”, e “bem comungada colectivamente”, essa IDEIA Nova, essa Ideia Diferente daquela que os povos circundantes já tinham e praticavam (galegos, judeus, leoneses, castelhanos, mouros), jamais a língua portuguesa teria existido.

Jamais a língua portuguesa teria sido falada ou escrita.

Jamais teria sequer existido uma Pátria Portuguesa, pois língua portuguesa não teria havido.

E qual terá sido essa “Ideia-Nova”, esse Som-Novo, essa palavra diferente essa Mensagem Nova que foi génese de nova Língua?

Talvez tenha sido o que hoje chamaríamos de ideias de:

 

- Autonomia e Individualização;

- Grito contra a escravidão;

- Desejo de independência;

- Clamor contra a pobreza;

- Vontade de ser, de ser, de ser, e de ser mais;

- Ânsia de Aventura – conhecer cada vez mais pessoas e povos, conhecer cada vez mais Mundos;

- Fartos de conhecer, – e de estar no “fim da Terra – Europa – querermos conhecer o MAR.

- Consciência de não suportar mais servidões;

- Querer mais lutar que sofrer;

- Lutar para vencer e vencer para amar;

- Preferir avançar morrendo, do que vivendo – fugindo de si e dos outros;

- Ser amante e ser amado;

- Ter honra em ser Filho, e ter honra em ser Pai;

- Sentir o dever de mandar, mais do que a obrigação de obedecer, e de obedecer sobretudo a incompetentes, frustrados, raivosos e imbecis;

- Não tolerar mais a vaidade estulta, nem a opressão do estúpido e do néscio;

- Querer conhecer o Mundo sem nunca renegar ou sequer esquecer a Terra onde nasceu, o lugar onde sua Mãe o “deu à luz”;

- Criando e sentindo a Saudade;

- O ter de proclamar a toda a gente, que o que está em cima está presente em baixo;

- Que o que está em baixo é reflexo e pura imagem do que está em cima;

- Que quando o discípulo está pronto, o Mestre também o está;

- Que mais vale morrer como herói, do que servir com perfídia, servindo e servindo-se constantemente dos outros;

- Que sendo todos humanos, todos se deveriam amar uns aos outros;

- E quando a morte os vencer, se deveriam sepultar uns aos outros, preservando não só temporalmente os ossos e a carne que se decompõe, como especialmente venerando a imortalidade das suas almas e do seu SER.

- O glorificar, festejar e enaltecer os seus Heróis.

Acreditar em Deus, e dar d’ELE exemplo na Terra, dilatando e expandindo Sua Mensagem, e dilatando a Fé n’ELE.

 

Que tendo plena consciência que sendo CRIATURAS Humanas, devemos adorar ao seu CRIADOR – que é UNO, na sua misteriosa Trindade de Pai, de Filho e de Espírito Santo, a quem tudo se deve, inclusivé o termos existido, e o termos ”descoberto” um novo Ser, uma nova Palavra, uma “nova língua” – uma Nova PAIDEIA – que nos diferenciou de todos os outros povos que nos rodeavam.

 

Estava encontrada uma Ideia Nova uma Nova Força de viver… e de morrer.

Estava encontrada uma Nova Ideia de “se estar e ser no Mundo”, sem ao Mundo ficar agarrado ou…nele ser extinto e apodrecido.

Estava “achada” a PAIDEIA LUSA.

 

O interruptor encefálico, dos nossos Egrégios Avós, acabava de dar à luz: A Portugalidade – através da criação de uma Nova LÍNGUA.

 

É claro que tal Língua Portuguesa, não aparece pois em UMA DATA FIXA, em UM ANO CERTO ou SANTO, como se desse a volta a um “interruptor eléctrico”… e … “a luz se tenha feito” e “uma língua tivesse então aparecido”.

Se um ser humano demora normalmente 9 meses a ser gerado, uma língua demorará mais de 3 séculos a ser autonomizada.

Ela aparece primeiro como “língua falada, depois escrita, e… só em fase adulta ela aparece transcrita em verso, em poema, em música celestial.

Se em 1128, os Galegos-Castelhanos na Batalha de S. Mamede ouviram como se era “bem cortejado e defendido em português falando” só em 1214 é que nós hoje temos um documento oficialmente escrito em português, e só cem anos depois, em 1309 é que o nosso Rei D. Dinis, faz publicitar oficialmente que a língua única do Reino daí para a frente, era a língua portuguesa. (Carta de Protecção de D. Dinis aos Estudantes da Universidade de Coimbra – 15 de Fevereiro de 1309).

E curiosamente é a partir dessa data que verdadeiramente se começa a “poetar” e a “escrever poesia” em língua portuguesa.

Atrevemo-nos mesmo a afirmar aqui, que entendemos que uma Língua, só se autonomiza, se individualiza e se torna verdadeiramente “adulta” quando nessa Língua se começa a “escrever poesia” se começa a poetar e se começa a enaltecer em verso todo um Povo.

Aliás, qualquer verdadeiro estudante de uma língua, só poderá em verdade dizer que conhece bem essa língua quer falada quer escrita, se ele nessa língua consegue “criar um poema próprio”.

Em relação à Língua Portuguesa, e quando é que ela se poderá gramaticalmente e sintacticamente considerar completamente estruturada, é nosso entender que tal sucede só em fins do séc. XIV (1385-1390) e princípio do séc. XV (1431) quando na Universidade de Lisboa – aquando da transferência dos Estudos Gerais criados por D. Dinis em Coimbra eles passam para Lisboa, (através da doação na data feita pelo então Infante D. Henrique – Regedor da Ordem de Cristo – dos terrenos em Alcântara para lá serem instaladas as Escolas dos Estudos Gerais.

E é curioso, que as lições de gramática, eram então dados “em alta voz (por causa da declinação dos verbos, e sobretudo da acentuação do TIL (~) – que com a sua significação nasalada do som “OM” – (Mantra de Deus) passa a ser ortografado (~) em cima de todas as formas verbais de futuros. (Pois na verdade, todo o Povo Português sabe que: “O Futuro a Deus pertence”. (Sugere-se a consulta do livro Um Salmo Português O SOM Natural de DEUS Presente e Oculto na Língua e na Cultura Portuguesa – edição de 2000 do autor.

 

III

CAMÕES E A LÍNGUA PORTUGUESA

Tendo Luiz Vaz de Camões nascido no 1º quarto do século XVI ele desde criança aprendeu a ler e a bem escrever em português perfeito (além de ter também estudado pelo menos o latim, o grego, e o castelhano), e talvez o próprio italiano.

Na época da infância de Camões é mesmo publicado em Lisboa, a 1ª Edição da Gramática da Língua Portuguesa de João de Barros – 1540. (Teria pois Camões os seus 13/15 anos).

O Vocabulário, Gramática e Ortografia da língua Portuguesa estavam pois completamente definidos, autonomizados e com vida totalmente independente de qualquer outra língua viva Europeia da época.

E os grandes escritores e poetas da Língua Portuguesa começam então a aparecer e a tornarem a nossa língua mais que conhecida, verdadeiramente respeitada por todos os países cultos de então, quer fossem Europeus, do Médio Oriente, da África do Norte, Ásia e Extremo Oriente, e daí a 100 anos – séc. XVII, será mesmo a Língua Portuguesa a ser usada não só mercantilista como literariamente, como a Língua Universal mais falada e praticada na época.

Luiz Vaz de Camões, veio a ser não só um dos escritores a usar o mais puro português, como ele veio a ser justamente cognominado como o “Príncipe dos Poetas Portugueses”.

Quer nos seus poemas líricos, como prosa epistolar, e sobretudo em Os Lusíadas Camões dá a todo o povo Luso, a maior das maiores lições de “como se pensa e se escreve em língua Portuguesa”.

Luiz Vaz de Camões, em Os Lusíadas autonomiza a Língua Portuguesa, fazendo-a totalmente estruturada e cristalizada a nível Universal pois na Terra, mais de 200 Países diferentes, o lêem e elogiam, e o veneram, venerando pois a língua em que tal poema está escrito: o Português.

Faz agora precisamente 9 anos, quando em Novembro de 2005, nesta mesma nossa casa – Sociedade de Geografia de Lisboa, proferimos uma Conferência subordinada ao título

“Os Lusíadas como Pedra Angular da língua, Literatura e Alma Portuguesa”.

Nessa Conferência concluímos dizendo:

Os Lusíadas não estão inscritos em Tábuas de Pedra, mas estão escritos em língua portuguesa, em verdadeiras tábuas de carne que são os nossos corações de portugueses”.

 

E mais:

Não será em vão, que a própria obra de Luiz Vaz de Camões – escrita em perfeito português – esteja já traduzida em mais de 90 diferentes línguas.

e…

Os Lusíadas editados em 1572 e contendo 8.816 versos, escritos com uma ortografia e gramaticalidade tão perfeitos, conseguiram após 150 anos do início de uma nova escrita de língua diferenciada ibérica, ser o início de uma língua autónoma, perfeita e estruturalmente fixada”.

A beleza e a correcção poética de todos os seus 8.816 versos, é tão cristalina e pura, que até apetece viver só e SEMPRE em POESIA escrita em Português!

Os Lusíadas são pois em verdade, uma das Pedras Angulares da Língua, da Literatura e da Alma Portuguesa.

Para finalizar – e tentando provar que

- A língua Portuguesa é ímpar e diversa de toda e qualquer outra língua;

– Que ela nasce dentro de um clã ou Povo isolado (que já não tinha mais terra para onde ir, e só podia “olhar para, e viver com o Mar”;

– Que além de ter tido raízes de outras línguas tais como a “latina” a grega, a árabe,  a judaica, a celta, e a gótica, ela teve também a raiz que eu apelido de língua do Mar ou “Marujar”;

– Que na base de todas essas “raízes” linguísticas, presidiu porém ao nascimento da Língua Portuguesa, uma MENSAGEM cósmica–humana muito própria, e que por todo um povo foi directa ou indirectamente assumida, e daí resultou a sua autonomia e diferenciação face a todas as outras línguas no Globo praticadas.

 

Vou solicitar a vossa atenção, e em perfeita e completa sintonia com os objectivos da nossa Secção de Camões, para a seguinte “prova dos nove cultural”, a qual só é possível dado o podermos utilizar o grande estudo e trabalho feito pelo nosso ilustre e querido associado Prof. Doutor Arnaldo de Mariz Rozeira no seu livro intitulado Os Lusíadas – Vocabulário.

Em anexo (Nº 1) dei-me ao cuidado de percorrendo Os Lusíadas sublinhar e referir por ordem alfabética todas as palavras (verbos, gerúndios, substantivos e adjectivos) usados por Camões nesse Poema, e que de modo directo ou indirectamente são vocábulos conectados com o MAR – ao Povo Navegante Luso – que soube CRIAR uma língua do mar – a que eu designo de “Língua de Marujar”.

Assim, obtive 300 (trezentos) vocábulos de A a Z “originados” pelo MAR e que poderão por vós ser consultados em lista anexa a este estudo, e que aqui dou por integralmente reproduzida.

Porém, e como já em vários estudos aqui vos tenho referido, eu entendo que Camões desvenda em Os Lusíadas todas as sua principais mensagens, através de CIFRAS ou códigos.

Ora neste caso, com vocábulos começados pela inicial “F”, Camões utilizou em Os Lusíadas dezassete palavras (não esquecer que 17 é o número esotérico de Portugal) que em ordem alfabética dentro do mesmo fonema F nos descodificam – EM VERA LÍNGUA PORTUGUESA – toda a Saga Marítima dos Lusos, usando vocábulos simbólicos e em sintonia cósmica com o SOM e o  SER do MAR.

É verdadeiramente impressionante, imponente e extraordinário, e só próprio de um génio como o de Camões, que tal poderia ter sido imaginado e vertido em verso e em língua lusa.

Os dezassete vocábulos iniciados com a letra F e em ordem alfabética são as que constam da seguinte lista:

Fadado

Fadiga

Fado

Fama

Famoso

Fantasia

Fatal

Fatídico

Feliz

Fidelidade

Firmamento

Flor

Fogo

Força

Frota

Foz

Com este “vocábulos simbólicos” podemos construir o Soneto que se segue, o qual a partir do homem singular luso, se eleva até ao cume do Destino da Pátria.

O Povo Luso foi Fadado
Para através de grande Fadiga
Conseguir cumprir seu Fado
E perante outros Povos obter Fama.

Mas todo o Famoso
Que cai em pura Fantasia
Acaba por cometer erro Fatal
E toda a vida se lhe torna Fatídica.

Mas aquele que é Feliz
Sabendo manter a Fidelidade
Coloca s’ua alma no Firmamento

Oh Rósea Flôr em Fogo,
Força à Lusa Frota,
Recebe-a em Paz na Foz do Futuro.

Oh grande Luiz Vaz de Camões!
Oh grande Cavaleiro Grã-Cruz da Ordem do Amor!
Oh grande amante da Mátria-Língua.

 

Está feito.

Novembro   de   2014.

Abel de Lacerda Botelho